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FENÔMENO Seca iguala paisagem do Agreste ao Sertão por RICARDO
PERRIER CARUARU - Um cenário desolador. Assim pode ser definida a atual paisagem do Agreste pernambucano. Na maioria dos municípios da região, onde não chove há dois anos, uma pessoa desavisada teria a impressão de estar no Sertão. Apenas a palma, a algaroba e os cercados de aveloz parecem desafiar a falta de precipitações, dando um pouco de verde ao cenário cinza. Diante de tal quadro, não são poucos os agrestinos que expressam uma certa inveja dos sertanejos que, há cerca de um mês, voltaram a conviver com as chuvas. A estiagem atingiu até mesmo locais antes considerados oásis. Na Serra dos Cavalos - um dos últimos resquícios de Mata Atlântica encravado em meio à região Semi-árida - as barragens existentes, que complementam o abastecimento d'água de Caruaru, também secaram. Algumas raras lavouras de subsistência são encontradas junto aos reservatórios que ainda possuem um resto d'água acumulado no último inverno ou em propriedades próximas aos leitos de rios perenes, como o Ipojuca. Mesmo assim, por toda a extensão do rio predominam as plantações de capim e de palma, que complementam a alimentação do que sobrou do rebanho. Para os agricultores, a região vem enfrentando a pior seca do século, desbancando até mesmo a estiagem de 93, até então considerada uma das piores dos últimos anos. "Naquele ano todos sofreram com a falta d'água, mas, pelo menos, teve agricultor que conseguiu lucrar um pouco. Desde que o inverno começou a fracassar, em 97, nos alimentamos da esperança de que as chuvas acabariam com a tristeza que toma conta da região", diz Antônio Bezerra Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gravatá. A maioria dos animais da região foram vendidos enquanto ainda tinham algum valor comercial. O pouco gado que resta é mantido pelos pequenos produtores rurais para o próprio consumo. "Sofremos ainda mais porque os principais reservatórios da região secaram e, até agora, nem mesmo chuvas isoladas tivemos", lamenta o agricultor Enivaldo Alves de Lira, 32, que mora próximo à barragem de Poço Fundo, responsável pelo abastecimento da cidade de Santa Cruz do Capibaribe, em colapso desde novembro de 97. Cabe aos caminhões-pipa, facilmente encontrados nas estradas da região, o papel de salvadores da população. Na maioria das cidades, eles são a única esperança de levar um pouco d'água para milhares de pessoas. Contudo, a cada dia aumenta a dificuldade dos proprietários destes veículos conseguirem água, o que os obriga a percorrerem distâncias cada vez maiores. O resultado é o aumento no preço, que faz com que 7,5 mil litros de água variem de R$ 70,00 a R$ 100,00. Em Frei Miguelinho, um dos municípios mais castigados pela estiagem, a solução encontrada pela prefeitura para amenizar o drama dos 13 mil habitantes (70% residentes na zona rural) foi a perfuração de poços artesianos e a implantação de quatro dessalinizadores. Três açudes foram limpos, que somados aos vários barreiros de pequeno porte tratados pelos alistados nas frentes de emergência, aguardam pela chegada das chuvas. A população ainda recorre à fonte Olho D'água da Onça que, há alguns anos, se espalhava num grande espelho d'água. "Esta é a única água que eu encontro sem ter que pagar. Só não serve para cozinhar feijão, pois é salgada", lamenta a agricultora Marinês Maria da Silva, 31, moradora do Sítio Aborrecido, que caminha três quilômetros por dia para chegar ao local. Por ironia, uma placa adverte para o risco de pescar no reservatório, localizado a poucos metros de uma pequena cruz que lembra a morte, por afogamento, em 95, de Sebastião "Baitanga", um dos moradores mais conhecidos da cidade. |
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