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FENÔMENO II Desmatamento agrava situação por JOSIE MARIA Especialistas em meio ambiente acreditam que o processo de modificação da paisagem no Agreste se deve ao fenômeno El Niño, que vem causando impactos ambientais em todo o mundo. Também apontam o desmatamento nas proximidades das nascentes e cursos das águas e a substituição da vegetação nativa por pastagens como responsáveis pela desertificação da área. "O processo vem ocorrendo independente da seca, que não deve ser considerada única vilã desta história. O homem também tem suas responsabilidades pelo comprometimento do meio ambiente na região", explica a técnica em meio ambiente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Edneida Cavalcanti. Segundo a especialista, para resolver o problema é preciso uma gerência ambiental com definições apropriadas e um trabalho de reflorestamento. "A degradação ambiental na região vem acontecendo há muito tempo, no entanto, fica mais evidente durante o período de estiagem prolongada. Quando reinicia o período chuvoso começa o processo de regeneração da área, que a cada ano está ficando mais lento". De acordo com a técnica, grande parte da mata nativa da região já foi derrubada pelo homem que, sem emprego, vem explorando a atividade de extração de lenha e carvão. O biólogo e professor de Ecologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ricardo Braga, diz que existem outras causas para a transformação da paisagem na região. Entre elas, a falta de estrutura de conservação da água, a pressão populacional e a demanda do abastecimento urbano. Segundo ele, grande parte dos rios de Pernambuco nascem no Agreste e o desmatamento da vegetação nativa nas nascentes vêm reduzindo a quantidade de água destes mananciais. Na opinião dele, o problema do Agreste poderá ser resolvido se for feito o reflorestamento com vegetação nativa em torno dos afluentes, a recuperação dos aqüiferos (depósitos de águas subterraneas), o controle do uso da água da chuva e a implantação de culturas perenes. Estas medidas, garante, poderiam regenerar o solo e trazer de volta a paisagem verde e arbórea característica do Agreste. LOCALIZAÇÃO - O Agreste pernambucano está localizado numa área de transição entre a Zona da Mata (verde) e o Sertão (seco) e concentra 25% da população do Estado. Possui uma média de precipitação pluviométrica anual que varia de 600 a 900 milímetros de chuvas bem distribuídas durante cinco meses. Em 97, por causa do El Niño, foram registrados apenas 200 mm. A região é beneficiada por dois fenômenos: a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que se forma no Equador trazendo as chuvas do Sertão para a região, e os Distúrbios de Leste, que vêm pelo litoral. O Agreste ainda possui os brejos de altitude, que tornam o solo mais fértil e com mais água que outras regiões. O serviço de meteorologia da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Sectma) indica que, este ano, o inverno no Agreste será regularizado. Segundo a metereologista Ioneide Alves de Souza, em março deve começar o período chuvoso dentro da média anual de precipitações. "Nas áreas de montanhas haverá chuvas acima da média normal, enquanto em algumas localidades da região a precipitação será reduzida", garante. |
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