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FENÔMENO III
Para moradores de Placas, saída está na migração

Entre os moradores de Placas, um pequeno povoado com menos de mil habitantes localizado na zona rural de Frei Miguelinho, é raro encontrar uma casa onde alguém não tenha morado ou não possua um familiar no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Quem arriscou voltar para o lugar após vários anos vivendo fora é considerado "louco". "Minhas colegas dizem que depois de velha eu resolvi morrer de sede em Placas", conta Iraci Maria da Conceição, 55, que, há dois anos, voltou de São Paulo.

Sua irmã, Sebastiana Maria do Nascimento, 55, que também retornou da capital paulista, diz que enfrentar a falta d'água é pior do que lutar contra o desemprego nas grandes cidades. Ao contrário dos povoados vizinhos, a Prefeitura não encontrou água nas tentativas de implantar poços artesianos. "O que nos diferencia do Sertão é que lá, pelo menos, já está chovendo", lamenta a estudante Rejane Ferreira da Silva, 18, sem esconder que pode ser mais uma moradora a deixar o lugar após concluir o segundo grau.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.01.99