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CRISE Desemprego aumenta mazelas de população em Rio Formoso por
JOSIE MARIA Quem chega em Rio Formoso - na Mata Sul com 20.216 habitantes - e conhece seu belo litoral, não imagina que a cidade, emancipada há mais de dois anos, é uma das que mais sofre com o desemprego no Estado. Apesar de não haver dados oficiais nos últimos anos, sabe-se que centenas de trabalhadores não encontram mais vagas nas duas usinas existentes na cidade, que vêm reduzindo suas atividades a cada ano. Para grande parte dos moradores, só com a reforma agrária seria possível resolver os problemas de desemprego em Rio Formoso, que tem grande parte de suas terras pertencentes às usinas. A concentração de terras, segundo o assessoro municipal, João Farias, contribuiu de forma significativa para o empobrecimento da população. A Usina Cucau é a única que está moendo e hoje emprega 1,3 mil trabalhadores. A Trapiche possui apenas dois engenhos no município e emprega 350 pessoas. Com isso, sobrou apenas a Prefeitura como fonte de empregos. "Ultimamente a direção da usina tem pago as indenizações com açúcar, mas os comerciantes locais não estão aceitando o produto como moeda corrente, inviabilizando as compras dos trabalhadores rurais", relata o secretrário financeiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape), Severino Domingos de Luna, mais conhecido como "Beija-flor". Sem saber trabalhar em outro tipo de cultura que não seja a da cana-de-açucar, parte dos trabalhadores rurais que perderam o emprego nas usinas sobreviveram, em 98, apenas com os R$ 80,00 pagos pelo Programa de Desenvolvimento da Zona da Mata (Promata), do Governo Estadual. Aqueles que não possuem terra para plantar começaram a pescar carangueijo, ostra, siri e aratu no mangue. A comunidade da Rua da Lama, onde mora a maioria destes catadores, é a mais carente do município. As casas do local foram construídas sob aterros em área de mangue. O local não possui infra-estrutura e os esgotos correm a céu aberto. A falta de higiene propicia a proliferação de ratos, baratas e mosquitos, tornando a área propícia a doenças endêmicas, sobretudo, parasitoses. Contudo, os moradores ainda preferem permanecer na Rua da Lama pelo fato de a comunidade ficar na parte central da cidade, onde há um maior número de crustáceos. A dona de casa Cícera Maria da Silva é uma das poucas que não gostam de morar no mangue. Ela diz que o lugar amedronta, principalmente quando a maré está cheia. "Tem dias que a maré fica tão alta que não consigo sair de casa. Fico com muito medo e se pudesse mudaria para outro lugar", revela, adiantando que mora no lugar há dois anos e que, durante esse período, sua filha, Iania Maria da Silva, 6, vive sempre doente. "Agora ela está com problema de verme e com a pele toda manchada. Ainda não consegui marcar um médico e também não tenho dinheiro para comprar os remédios", conta a dona de casa. PREJUÍZO - Os pescadores da área estão preocupados com uma estranha doença que vem matando os caragueijos há dois meses. Segundo o presidente da Colônia de Pescadores, Francisco de Assis Santana, diariamente centenas de carangueijos são encontrados mortos em toda a extensão de mangue do município. "Não sabemos do que eles estão morrendo mas está acabando com a única fonte de renda de algumas pessoas da cidade, que já começam a atravessar dificuldades", revela. Segundo Santana, a mortalidade dos carangueijos está muito alta. "Estima-se que nestes dois meses milhões de carangueijos desapareceram fazendo com que a renda dos pescadores fique reduzida cada vez mais. No momento estamos precisando que algum especialista nos ajude a identificar a causa do problema", ressalta. Ele conta que os pescadores de mariscos, sururu e peixes estão passando por uma drama parecido. Neste caso, comenta, a redução dos peixes se deve aos barcos pesqueiros de camarão que, com suas redes, saem arrastando e matando os peixes pequenos. O pescador Manuel Batista do Nascimento, 43, conta que entrou na profissão há 30 anos, e que, durante todo esse tempo, nunca presenciou uma situação tão crítica na região quanto a que está ocorrendo agora. "Na época fraca nós pegavamos cerca de 12 quilos de peixe por dia e nos meses de julho e agosto, que é o período bom, conseguiamos pescar até 50 quilos", relata, ao dizer que a pesca foi reduzida pela metade. |
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