MOSTRA INTERNACIONAL
Valdés faz diálogo da
tradição com o popConsiderado
um dos pintores mais importantes da Espanha neste final
de século, mas pouco conhecido pelo público brasileiro,
o valenciano Manolo Valdés será apresentado, a partir
desta quinta-feira, no Museu de Arte Moderna Aloísio
Magalhães (Mamam). Essa é a primeira exposição do
artista no Brasil.
A mostra, que estreou na Pinacoteca de
São Paulo, fica no Mamam até o final de abril. O
trabalho de Valdés ganhou mais destaque durante sua
atuação no grupo de arte espanhol Equipo Cronica,
criado em 1964. Inicialmente integrado por Valdés,
Rafael Solbes e Joan Antonio Toledo, apenas os dois
primeiros permaneceram no grupo. Ainda com o Equipo, ele
participou da Bienal de Veneza, em 1976.
Com a morte de Solbes, em 81, Valdés
deu outra direção à sua carreira. Hoje, radicado em
Nova York, o artista conquistou prestígio internacional
e, ao lado de nomes como o do pintor Antoni Tàpies, é
considerado um dos grandes expoentes da arte
contemporânea espanhola. Composições, título da
mostra que chega ao Mamam, é um registro dessa segunda
fase de sua obra, uma pequena retrospectiva, que reúne
quadros e esculturas realizadas entre 1981 e 95.
O trabalho apresentado por Valdés
recebe influências de diversas vertentes da arte do
século XX, principalmente do pop e da pintura matérica
de Tàpies. Em sua obra, esses dois elementos se fundem
num só. O pop de Valdés é matérico. Reflete-se nas
suturas e nas camadas de tinta superpostas que ele
utiliza para decompor as linhas figurativas.
Suas telas trazem um esboço clássico
e um resultado contemporâneo. Ao mesmo tempo em que se
insere na arte do seu tempo, o artista não nega a forte
herança da figuração espanhola, não foge à
tradição. Pinturas realizadas em séculos passados
emergem de seus quadros com uma nova roupagem, filtradas
pelo olhar atual. Habilmente, Valdés se nega a competir
com a história para valer-se dela, trazendo para suas
telas séculos da arte passada.
DIÁLOGO - Dos quadros e
esculturas que ele mostra no Recife, são os retratos ou
derivações deles que ilustram melhor esse diálogo de
Valdés com os seus antepassados artísticos. É o caso
dos quadros Duas Rainhas, Felipe IV e Dama com Mancha
Ocre, por exemplo. O pintor valenciano também se inspira
em mestres como Manet e Matisse.
Desde a composição até as cores
escolhidas para suas telas, vários elementos explicitam
essa busca de informações em obras-primas de outros
autores. Mas o artista nunca limita-se a elas. O objetivo
é sempre transgredi-las, modificá-las, vertê-las para
sua própria linguagem. Na verdade, uma meta-linguagem,
que é própria da arte contemporânea.
Mas não são apenas os temas
clássicos que figuram em Composições. O contato com a
arte pop sugeriu a Valdés o uso das séries. Isso pode
ser visto no conjunto de quadros Chapéu Sobre Fundo
Branco, A Bota, O Frasco de Perfume Sobre Amarelo e A
Luva, realizados entre 1994 e 95. Ao invés de tela, o
artista escolheu como suporte tecidos de juta ou sacos de
estopa.
A série é pintada com espessas
camadas de tinta a óleo, um empasto preparado pelo
próprio artista. Além da cor, aplicada em várias
camadas, ele também deixa na tela outros elementos, como
linhas, marcas de costuras e papel.
Outro elemento pop que figura no
trabalho de Valdés é a utilização da repetição numa
mesma obra. O recurso aparece em telas e esculturas, como
Vasos Gregos II e Vasos Gregos III. O primeiro é uma
grande escultura - 1,98m x 2,11m - de uma estante com uma
série de vasos de estilo clássico feitos em madeira. A
segunda obra é uma pintura de dois desses mesmos vasos
numa só tela.
Como a exposição é uma
retrospectiva, vale prestar atenção nas modificações
ocorridas na obra do pintor ao longo dos anos 14 anos
compreendidos em Composições. É interessante notar
como, nesse período, seu trabalho foi incorporando um
novo tipo de acabamento para ganhar em expressividade.
Para isso, ele acrescentou informações táteis às
visuais, causando no público uma maior variedade de
sensações.
Serviço
Composições - exposição do
artista plástico espanhol Manolo Valdés
Abertura: hoje, às 20h
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Rua da Aurora,
265)
Informações pelo fone 423.2761
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