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SHOW
Zélia Duncan ergue Catedral na Fun House

por SCHNEIDER CARPEGGIANI

Uma série de chaves e um trinco enfeitam a arte do novo CD de Zélia Duncan, Acesso. Já a capa, mostra uma bifurcação, com a cantora no meio, e várias portas fechadas. Todos esses signos representam os 15 anos que a cantora levou para encontrar o sucesso, que só aconteceu, em 95, a bordo da música Catedral. Tendo iniciado a carreira no começo dos anos 80, um período complicado para artistas que faziam uma ponte entre a MPB e o pop, a artista se encontrou nestes anos 90, bem mais promíscuos em termos musicais.

Acesso, produzido por Christiaan Oyens, parceiro de Marina Lima, mostra a cantora em seu melhor e mais sofisticado trabalho, flertando mais abertamente com a música eletrônica e com "canções tão artesanais que até dão a impressão de terem sido feitas com ajuda de sintetizadoras", como afirmou, Zélia, em entrevista por telefone. Esse momento de maior maturidade musical vai ser visto hoje, às 22h, na boate Fun House.

A apresentação de hoje vai ser a primeira de Zélia Duncan aqui na cidade e é uma oportunidade para a cantora conhecer o seu público recifense. "O público da minha música não é de milhões, mas é um número fiel, que venho conquistando aos poucos durante a minha longa carreira", atestou. Longa carreira, essa, que rendeu até um período cantando nos Emirados Árabes, período que lhe serviu de inspiração para compor o seu maior sucesso até hoje, Catedral, uma versão da música Cathedral Song, da cantora Tanita Tikaran.

"A letra de Catedral, fala de alguém exilado, só em um deserto, deserto esse que existia tanto como uma forma de linguagem quanto na realidade, pois lá nos Emirados Árabes existe um deserto. A letra original da música da Tanita Tikaran também fala de alguém exilado, principalmente no momento que ela canta: "Eu lhe vi da catedral". E essa catedral parece ser uma forma de se exilar das coisas. Nunca gostei muito de versões, mas Catedral pagou a minha língua. Eu cheguei a enviar a letra da minha versão para a Tanita, que aprovou a história que tinha criado em cima da canção dela", revelou.

"Eu podia ficar repetindo uma música como Catedral infinitamente, seria muito fácil, mas preferi arriscar". A busca de fugir da "maldição" do primeiro sucesso fez Zélia procurar outros vôos, como o bem sucedido CD Intimidade e o recente Acesso, que traz uma seleção de canções de amor buscando acesso no meio de uma série de "encontros no meio de tantos desencontros", como são, por exemplo, Quase Sem Querer, uma "cover da Legião Urbana que eu coloquei bem escondidinha no CD".

Na apresentação de hoje, durante a canção Tempestade, Zélia inseriu um sampler da voz de Chico Science, tirada da música A Cidade. "Sei que para os recifenses, essa homenagem pode até parecer uma coisa meio "batida", mas a idéia da música do Chico se encaixa perfeitamente no quero falar em Tempestade: a dor dos problemas sociais, doendo, ao mesmo que a dor do nosso próprio umbigo é sentida".

Serviço

Show de Zélia Duncan
Hoje, às 21h, na Fun House
R$ 15,00

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Jornal do Commercio
Recife - 24.03.99
Quarta-feira