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ABASTECIMENTO
Condôminos levam Compesa à Justiça

por PEDRO TINÔCO

Os moradores do Conjunto Jardim Petrópolis, na Várzea, estão prestes a conseguir uma conquista inédita contra a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), na Justiça. Depois de três meses sem receber uma só gota de água nas torneiras, eles resolveram dar entrada em uma ação no Juizado Especial de Relações de Consumo para exigir que a companhia cumpra o calendário de racionamento elaborado por ela própria e indenize os consumidores pelas despesas com carros-pipa. Como a Compesa faltou à última audiência, no dia 12, corre o risco de ser condenada à revelia.

O problema vem atingindo cinco dos 16 blocos do conjunto, desde janeiro. Os condomínios de quatro blocos desistiram de esperar pela Compesa e furaram poços artesianos. Mas 32 famílias do bloco três, quadra 29, preferiram exercer a cidadania e cobrar seus direitos na Justiça.

A iniciativa partiu do psicólogo Alexandre Magno Lins Soares. Antes de acionar o Juizado ele procurou a Compesa e até o gabinete do governador. Não recebeu resposta e partiu para o pedido de indenização. Na primeira audiência, em fevereiro, as explicações do representante da companhia não convenceram e o juiz marcou uma nova data para tentar um acordo entre as partes. No segundo encontro, dia 12, a Compesa não mandou representante.

"Além de não prestar o serviço, a empresa demonstrou que também não respeita o Poder Judiciário. Mudou o governo, mas o descaso continua o mesmo", criticou o psicólogo. Hoje, os moradores entregarão um abaixo-assinado ao diretor da Compesa, Antonio Carlos Coelho, pedindo o cumprimento do esquema de racionamento ou carros-pipa. Nos três meses que deixou de receber a água, o condomínio "queimou" uma reserva de R$ 3 mil. Além desse gasto, eles também pagam a taxa mínima de R$ 147,20, cobrada na conta, sem falta, a cada 30 dias.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.03.99
Quarta-feira