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INFÂNCIA II
Educador sugere trabalho com famílias

O sucesso do Programa Estadual de Proteção à Criança e ao Adolescente, cujas ações incluem a operação de busca ativa de menores de rua, ficará comprometido se não forem tomadas medidas que garantam uma "retaguarda" ao trabalho desenvolvido. Essa é a opinião do educador Josemar Gomes, secretário do Conselho Tutelar da Região Político-Administrativa (RPA) 3, que compreende a área de Beberibe e adjacências. "Se não for executado também um trabalho de apoio às famílias desses menores, eles vão acabar voltando para as ruas".

Segundo Josemar, os Conselhos Tutelares cumprem o seu papel, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. "Devemos encaminhar os menores de volta para casa e incluí-los em programas específicos de auxílio que beneficiem não somente a eles, mas também à sua família", observou. "O problema é que existe, no entanto, um imenso buraco em relação a estes programas".

Para ilustrar o que diz, Gomes cita como o exemplo o caso do apoio aos viciados em drogas. De acordo com o educador, na Região Metropolitana do Recife (RMR) existem somente três entidades que poderiam lidar com esses jovens. "Não acredito que, se todas as cerca de 700 crianças e adolescentes que vivem nas ruas no Grande Recife fossem encaminhadas, esses órgãos teriam condições de atender à demanda", comentou.

REUNIÃO - O secretário disse ainda que representantes de todos os Conselhos Tutelares do município iriam se reunir na tarde de ontem para discutir as ações previstas no Programa de Estadual de Proteção à Criança e ao Adolescente. "Os conselhos e entidades, como o Centro Dom Hélder Câmara, atuam há vários anos no atendimento aos menores e podem repassar sua experiência".

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Jornal do Commercio
Recife - 24.03.99
Quarta-feira