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ESTUDO
Larva de mosca é usada para tratar ferida

PARIS - Para tratar as feridas infectadas e lutar ao mesmo tempo contra o abuso de antibióticos, que apresenta o risco de criar resistência às bactérias, uma equipe de médicos britânicos propõe resgatar um antigo método de tratamento: as larvas de mosca.

"Atualmente se recorre à utilização de larvas de mosca para limpar as feridas, quando todos os outros tratamentos, incluindo os antibióticos, já fracassaram, mas pensamos que uma utilização precoce teria que ser pensada mais seriamente", afirmam, na revista médica British Medical Journal (BMJ), os doutores Stephen Thomas, Mary Jones e John Church, da unidade de Biocirurgia do Hospital Princesa de Gales, de Bridgend.

"O tratamento com larvas de mosca, ou biocirurgia, é indicado para as feridas infectadas e as necroses de todo o tipo, incluindo as que estão colonizadas por cepas de bactérias resistentes aos antibióticos", afirmam.

O mecanismo mediante o qual as larvas de mosca matam as bactérias presentes nas feridas nunca foi totalmente compreendido, mas, segundo um dos autores do estudo, John Church, a técnica já era mencionada no Antigo Testamento.

Na França, aparentemente foi o cirurgião Ambroise Paré o primeiro a falar da biocirurgia, em 1579. Mas a primeira descrição detalhada da ação das larvas de mosca para lutar contra as infecções foi feita pelo barão Dominique Larrey, cirurgião do exército de Napoleão. Este médico havia comprovado que os soldados cujas feridas estavam infectadas com larvas de mosca não morriam nem de tétano nem de gangrena.

Com o descobrimento dos antibióticos, o tratamento com larvas de mosca foi abandonado. Os três autores do artigo retomaram o cultivo de larvas com fins médicos em 1995 e desde então, afirmam, 3.500 recipientes com larvas estéreis foram entregues a 400 centros cirúrgicos da Grã-Bretanha e do resto de Europa.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.03.99
Quarta-feira