LG_jc.gif (3670 bytes)

REFORMAS II
Presidente critica, indiretamente, meta imposta pelo FMI

O presidente Fernando Henrique criticou, ontem, indiretamente, o Fundo Monetário Internacional (FMI), durante discurso a empresários na Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exigir mais cortes em despesas do governo brasileiro para a concessão dos empréstimos.

"Muita gente que fala em cortar mais não sei quantos pontos do PIB (Produto Interno Bruto) nunca sentou responsavelmente numa cadeira para tomar decisões e não sabe que as decisões afetam o povo", argumentou o presidente. "Quando afeta o povo, é mais doença, mais mortalidade infantil, e mais dificuldades para o povo e há limites para isso."

O presidente avisou ao FMI que o governo cumprirá a meta de criar um superávit de 3% do PIB porque o Congresso deu condições para isto, mas que não permitirá que os cortes afetem a população mais pobre. "O governo irá criar o superávit de 3% do PIB, que é muitíssimo para uma economia em relativa depressão, mas não vamos fazer sem prestar atenção à rede de proteção social que um país como o Brasil não pode dispensar", disse.

O presidente admitiu que poderá fazer novos cortes em programas sociais, reformulando e acabando com o desperdício de recursos, mas sem que isso prejudique os atendimento direto à população. "Haverá aí, permanentemente, um olho para saber se os programas que chegam na ponta não serão atingidos." Ele argumentou que o mercado emite os sinais, mas que cabe ao governo corrigir estes sinais e impor limites "para essa espécie de voracidade para que o governo corte, corte, corte".

_____________________-___________________


Jornal do Commercio
Recife - 24.03.99
Quarta-feira