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NATURAL A sensualidade é natural, mas a mídia transforma em erotização As reações indignadas à pedofilia podem levar a um extremo: a negação da existência do erotismo infantil, fato que não deve ser motivo de alarde por parte dos pais. Segundo a psicanálise, o ser humano já nasce imbuído de energia erótica. E é ainda na infância que as crianças vão iniciar o caminho de descoberta da sexualidade através de jogos e brincadeiras sexuais. "O próprio gesto de amamentação fornece um prazer à criança que está repleto de sexualidade", exemplifica a sexológa Amparo Caridade. "As brincadeiras sexuais entre crianças são perfeitamente saudáveis. É uma coisa que acontece e não pode ser evitada. O que é grave é se um adulto se colocar como elemento dessas brincadeiras", afirma a psicanalista Isabel Feitosa. A descoberta do sexo deve ser natural, isto quer dizer que os pais não devem coibir ou menos ainda estimular os jogos eróticos infantis. "Os pais podem desviar a atenção das crianças para outras coisas. Se o menino estiver aficcionado pelo próprio pênis, o pai pode lhe mostrar outras coisas, como jogos lúdicos ou de inteligência que são importantes para o seu desenvolvimento psico-motor", sugere a terapeuta Albânia de Carli. "É válida qualquer coisa que diversifique as experiências infantis, pois o erotismo nesta fase não deve ser exaustivo", completa. BOLINAÇÃO - Práticas mais comuns do que se imagina podem contribuir para uma sexualização excessiva da criança. Uma delas é o hábito de algumas babás manipularem os órgãos sexuais dos bebês para que eles durmam. "Isto pode gerar uma prática masturbatória precoce", adverte a terapeuta. É justamente a existência comprovada do erotismo infanto-juvenil que faz com que existam associações de defesa da relação pedófila. Na Inglaterra e na Alemanha existe um movimento conhecido como Boylovers, que em português siginifica amantes de meninos. O grupo estabeleceu inclusive regras éticas segundo os padrões morais que adota. O não-uso da violência durante a sedução é a principal delas. Nos Estados Unidos, há uma associação conhecida como Nambla (North American Man and Boy Love Association). Sua tradução explica seus propósitos: Associação Norte Americana do Amor entre Homem e Garoto. A associação conta com defensores ilustres como a polêmica escritora Camile Paglia. Paglia, embora concorde com a existência de casos atrozes de estupro que devem ser condenados, a escritora defende que algumas vezes o relacionamento é iniciado pelo jovem, possuindo conseqüências positivas. "Esses casos nunca são conhecidos porque não acabam nos tribunais", afirmou a escritora em um de seus recentes livros, Vampes e Vadias. "Uma menina de 14 anos tem muita sensualidade mas isso não quer dizer que ela esteja preparada para o sexo. Mesmo que ela provoque, cabe ao adulto, maduro, orientar-lhe. Até porque, ela não responde legalmente pelos seus atos" rebate a pernambucana Albânia de Carli. Um motivo aparentemente inofensivo está gerando um terreno propício para o aumento da pedofilia. Nunca, em toda a recente história da mídia brasileira, a criança esteve tão erotizada nos veículos de comunicação. Apenas como exemplos mais evidentes da situação, os especialistas apontam quadros dos programas vespertinos de domingo que exibem, entre suas atrações, garotas de até cinco anos rebolando e realizando coreografias que simulam gestos sexuais. "Eu nunca presenciei um momento como esse, de uma erotização da infância tão acentuada", atesta a professora do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco, Isaltina Gomes. "É inegável o poder de reprodução de comportamentos que a mídia possui, sobretudo a televisão. Basta ver um personagem popular de uma novela. Na rua, há várias pessoas copiando suas roupas e gestos", exemplifica. CANTO DA SEREIA - Para os especialistas, esse processo de erotização infantil não é, por si só, o responsável direto para um aumento da pedofilia. Suas causas ainda residem nas perversões sexuais dos adultos, que comandam o processo de sedução. O que ocorre é que, mais sensualizadas, as crianças deixam mais evidentes os elementos de desejo dos pedófilos. A erotização da infância é estimulada em casa ou até mesmo na escola. A terapeuta Albânia de Carli adverte os pais sobre os excessos dos colégios que, no recreio, chegam a colocar músicas da axé music, com grande apelo sexual, para que as crianças executem as coreografias. "Quando um pai pede que a criança faça a dança da bundinha, está expondo seu filho sexualmente. E a criança não está preparada para esse tipo de exposição", alerta. As reações à erotização da infância também começam a aparecer. Nos Estados Unidos, a Justiça proibiu, no início do mês passado, a veiculação de um anúncio da grife Calvin Klein por entender que a imagem de dois garotos de cueca observando seus pênis reciprocamente possuía um grande apelo pedófilo. Não foi a primeira vez. Há cinco anos a mesma grife foi advertida por causa de uma campanha em que adolescentes apareciam em portraits com poses sensuais. Em 92, a cantora Madonna teve uma restrição editorial por parte da Warner Books que a proibiu de incluir fotos de erotismo pedófilo no livro Sex. No volume ela aparece em ensaios fotográficos sobre as mais diversas práticas sexuais. O motivo da restrição teria sido um ensaio para revista americana Vanity Fair, em que Madonna incorpora uma espécie de lolita super erótica. |
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