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ATITUDE II Sertão: prostituição infantil no estado tem novo endereço Dezessete boates e bares foram fechados apenas ano passado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente da Polícia Civil no bairro de Boa Viagem. O motivo foi único: a exploração sexual de crianças e adolescentes nesses locais. O número revela uma das faces mais crueis da pedofolia: a prostituição infantil, quando crianças carentes são obrigadas a tirar proveito financeiro de seus corpos. "Na maior parte dos casos, a violência sexual começa em casa. São crianças abusadas na própria família e que saem de casa, sendo obrigadas a se prostituir pelas circunstâncias", aponta a delegada Olga Câmara da DPCA. "Na maior parte dos casos, a criança acaba responsabilizada. As mães têm medo de perder seus compnaheiros e as obrigam ao silêncio" aponta a delegada. Por isso, não há uma estatística exata da quantidade de menores envolvidos no mercado do sexo pernambucano, mas os estudos do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente sobre a questão revelam pelo menos um aspecto novo: o endereço da prostituição infantil mudou. Devido à quantidade de organizações voltadas à infância, a oferta do sexo infantil se concentra hoje no sertão pernambucano. "A prostituição infantil no sertão sempre existiu, mas com o aumento da violência nas estradas, os motoristas estão preferindo dormir nas cidades e isso está gerando um núcleo de oferta do sexo infantil", atesta Silvino do Nascimento Neto, coordenador do Conselho. Nos municípios de Araripina, Trindade e Ouricuri, cerca de 600 caminhões costumam passar pela BR-232, que atravessa a localidade. Apenas nos finais de semana. SEXO A R$ 1,00 - Em Araripina a situação costuma ser mais grave. Devido à proximidade com o Piauí, crianças vêm do Estado vizinho para se prostituirem no município. E é na praça central de Araripina ou nos postos de gasolina onde os caminhões ficam guardados que menores com idade que beira os 8 anos fazem programas por até R$ 1,00. "É ilusório achar que as crianças ganham muito dinheiro com a prostituição. R$ 5,00 é uma quantia que apenas a menina mais bonita e disputada consegue", aponta Silvino. "Quando se vai a esses lugares é lamentável constatar que, no início da noite, há pontos cheios de caminhoneiros já à espera das crianças", completa. "Desde o início do ano, a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência disponibilizou uma linha gratuita, em convênio com o Ministério da Justiça, para recber denúncias de exploração sexual infanto-juvenil. O número é o 0800-99-0500.(B.A.) |
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