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Brasil ganha laboratório de chips

por HUGO PORDEUS
ESPECIAL PARA O JC

São Paulo terá o primeiro laboratório destinado à pesquisa e fabricação de chips da América Latina. Viabilizado através da parceria entre duas universidades - Unicamp e USP -, Fundação Centro Tecnológico para a Informática (CTI) e Motorola, o projeto foi apresentado, semana passada, como o início de uma nova era para a indústria latino-americana de semicondutores e microeletrônica.

A Motorola foi a primeira companhia de tecnologia a apostar no laboratório brasileiro de chips. Os investimentos iniciais da empresa somam US$ 1,3 milhão em doação de equipamentos para a fabricação de circuitos integrados e podem chegar a US$ 20 milhões em cinco anos. O LatinChip - como vem sendo chamado o projeto - começou a ser idealizado na metade do ano passado como uma alternativa no desenvolvimento de chips, mantendo a mesma qualidade dos materiais importados.

Comprometido com o setor acadêmico, o LatinChip tem o objetivo de oferecer aos estudantes a possibilidade de fazer experiências reais com o processo de produção de semicondutores avançados. Os benefícios diretos vão para as instituições acadêmicas - Unicamp e USP -, que terão acesso ao know-how de uma empresa que é uma das líderes mundiais em soluções integradas de comunicação e eletrônica, com faturamento de US$ 29,4 bilhões em 1998.

"A Motorola do Brasil se compromete com o laboratório para desenvolver oportunidades educacionais que aprimorem a formação de recursos humanos. Isso é a certeza de que as vantagens desse projeto serão divididas pela companhia e toda a indústria de alta tecnologia na América Latina", afirma o presidente da subsidiária brasileira, Dante Iacovone.

De acordo com Héctor de Jesús Ruiz, vice-presidente executivo da Motorola, "o LatinChip vai disponibilizar infra-estrutura de microeletrônica de última geração, tornando-se o mais avançado ambiente educacional no mundo na área de semicondutores fora dos Estados Unidos".

No começo, a tecnologia de construção dos chips será de 0,8 micron, o que torna viável a fabricação de circuitos com um milhão de transistores. O objetivo é pular, em cinco anos, para 0,5 micron e, em seguida, 0,35 micron. A previsão para o início das atividades do laboratório de chips é abril do próximo ano.

As instalações do LatinChip ficarão localizadas no próprio campus da Universidade de São Paulo. Segundo o professor João Antônio Zuffo, ligado ao departamento de eletrônica da Politécnica/USP e coordenador geral do laboratório, várias empresas, além da Motorola, estão aderindo ao LatinChip. Umas delas são a NEC e a Messner, companhia além de construção de "salas limpas", ou seja, ambientes preparados para abrigar dispositivos delicados, como os componentes dos circuitos integrados.

"Esse laboratório tem o papel pioneiro de qualificar mão-de-obra industrial em uma área ainda muito frágil no país, que hoje só tem pessoal acadêmico fazendo pesquisa sobre chips", explica Zuffo. O LatinChip vai se concentrar na produção de protótipos em pequena escala, fornecendo padrões para fabricação em massa por empresas privadas.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.03.99
Quarta-feira