![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
ATENTADO Vice-presidente paraguaio é assassinado ASSUNÇÃO - Pistoleiros mataram a tiros ontem o vice-presidente paraguaio, Luis Maria Argaña. O país fechou suas fronteiras e lançou uma caça aos assassinos de um homem que estava envolvido numa amarga luta pelo poder com o presidente Raul Cubas. Três ou quatro homens com uniformes militares fecharam na manhã de ontem com um carro o Jeep de Argaña numa rua de Assunção, lançaram uma granada e fizeram dezenas de disparos. O corpo de Argaña foi cravejado com 10 balas. Seu motorista também morreu, mas um guarda-costas sobreviveu. A polícia encontrou mais tarde a carcaça carbonizada do carro usado no ataque, um Fiat Tempra branco, mas os atacantes não foram identificados. Cubas, que está ameaçado com impeachment pela facção rival de Argaña no governista Partido Colorado, disse que havia fechado o aeroporto e "aviões e helicópteros da força aérea estão cobrindo todo o país... Pedimos ajuda à polícia de outros países no caso de eles conseguirem cruzar a fronteira". Mas ele parecia culpar parcialmente seu ex-vice por não ter aceito uma guarda oficial: "Infortunadamente, o doutor Argaña usava sua própria segurança pessoal e não podíamos oferecer a ele a oficial". Cubas pediu aos 5 milhões de paraguaios para "manterem a calma" em meio a uma atmosfera de crescente tensão. Vizinhos do Paraguai e Washington se expressaram chocados com o assassinato. O porta-voz do Departamento de Estado americano, James Rubin, afirmou que seu governo "condena firmemente" o crime e acredita que não "há lugar para violência no processo democrático". O Paraguai tem ficado para trás em relação a muitos de seus vizinhos na consolidação da democracia e nas reformas econômicas. O Partido Colorado, que tem se mantido no poder por meio século, tem uma temerária reputação de corrupção e truculência. Argaña, 66 anos, era uma autoridade tão destacada na ditadura do Partido Colorado do general Alfredo Stroessner - que governou de 1954 até um golpe em 1989 - que ele foi apelidado de "O Príncipe" e considerado o sucessor do velho general. Cubas disse que não está poupando esforços para capturar os assassinos de Argaña e que pediu ajuda ao principais parceiros do Paraguai no Mercosul, Brasil e Argentina. Ele declarou três dias de luto oficial por Argaña. O crime foi um dos mais sangrentos assassinatos na usualmente calma capital paraguaia desde que o ex-ditador nicaraguense Anastasio Somoza foi morto numa emboscada em 1980. |
|