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Mercado aceita papel prefixado O mercado acredita que a tendência dos juros é realmente de baixa: no leilão de títulos prefixados realizado ontem, o primeiro desde junho de 98, o Banco Central (BC) vendeu, em nome do Tesouro, um lote de 500 mil LTNs, a uma taxa máxima de 42,80% ao ano, abaixo do nível de 45% do overnight. Segundo operadores, o fato de os bancos terem aceito uma taxa inferior ao over, confirmando o que esperavam os analistas, indica que o mercado trabalha com a perspectiva de queda dos juros. Se a percepção dos investidores não fosse essa, as instituições não comprariam papéis prefixados, ainda que de prazo curto. As LTNs leiloadas têm prazo de 28 dias. A demanda foi 14 vezes superior à oferta. Os analistas ressaltaram que a procura foi tão grande porque o lote vendido era pequeno. Ainda assim, um operador de um banco estrangeiro frisou que, há algumas semanas, seria impossível vender títulos prefixados, pois nenhum banco compraria papéis com juros definidos de antemão, mesmo por pequenos períodos, por conta do risco de nova alta das taxas. A questão agora é saber quando o BC vai reduzir os juros. Na última reunião do Copom, foi decidido que o viés das taxas é de baixa, o que permite a redução dos juros antes da próxima reunião, marcada para o dia 14 de abril. A melhora do cenário ocorreu a partir da posse de Armínio Fraga na presidência do BC, no início do mês, e do anúncio do novo acordo com o FMI. O mercado ficou mais tranqüilo principalmente com a informação de que o governo pode vender, até junho, mais de US$ 8 bilhões para segurar o dólar. Por fim, a Câmara aprovou a CPMF e os índices de inflação divulgados pelos institutos de pesquisa na semana passada mostram que os aumentos de preços não devem chegar ao varejo com intensidade, em virtude da recessão. O dólar, por sua vez, fechou em ligeira alta, de 0,27%, cotado por R$ 1,855. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou pouco, entre a máxima de R$ 1,85 e a mínima de R$ 1,86. BOLSA - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em queda de 0,93%, em novo movimento de realização de lucros, também influenciado pela forte queda do mercado acionário de Nova York. O Índice Dow Jones caiu 218,7 pontos, ou 2,21%. O IBovespa chegou a registrar máxima de 2,92%, mas depois foi perdendo força durante o dia, quando o Dow Jones caiu fortemente. À tarde, porém, a Bolsa paulista esboçou uma reação, e chegou a zerar as perdas do dia, com a recuperação de papéis do setor elétrico. Mas esse movimento não teve sustentação, e o IBovespa voltou ao vermelho quando a perda do Dow Jones acentuou-se. O volume negociado foi de R$ 452,911 milhões. Ouro O ouro movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 17,10 o grama, com valorização de 0,29%. O volume negociado foi de 111 kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy (31,104 gramas) foi cotada por US$ 284,70 nos contratos para liquidação em abril. Dólar Pelo segundo dia consecutivo nesta semana, a cotação do dólar comercial fechou em alta. Ontem, a valorização de 0,27% puxou o preço de compra do dólar comercial para R$ 1,84 e o de venda para R$ 1,85. No mercado paralelo, ocorreu desvalorização de 0,37%. O black estava sendo comercializado por R$ 1,84 na compra e por R$ 1,89 na venda. Renda Fixa Ainda que tenham comprado todo o lote de títulos prefixados oferecido ontem pelo BC por juro máximo de 42,80% ao ano, abaixo da taxa de 45% ao ano que vigora no overnight hoje, os bancos não cortaram as taxas dos CDBs prefixados. Elas ficaram estáveis em relação ao dia anterior. O resultado do leilão indica que o mercado aposta na queda dos juros; a estabilidade das taxas dos CDBs revela que o papel já vinha embutindo essa tendência de queda. |
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