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ARQUITETURA
Um passeio por vários estilos e épocas

É preciso dar um tempo para apreciar o Castelo da Pena, considerado o expoente máximo do Romantismo em Portugal. Foi em 1840 que D. Fernando II (1816-1885) decidiu reformular as ruínas do antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Pena que remonta ao século 16 (mandado erigir por D. Manuel em regozijo pelos feitos das descobertas) e fazer dele a sua residência privada de verão. D. Fernando, um dos reis maçônicos de Portugal, fora provavelmente iniciado em família e durante a adolescência no Rito Escocês Retificado de origem maçônico-templária, no dizer do historiador Jorge de Matos, dotou a nova moradia com expressiva linguagem simbólica.

Novos corpos foram acrescentados, numa amálgama cenográfica que se enquadra sugestivamente na paisagem. Dali se avistam belas paisagens, com a planície saloia ao norte, o estuário do Tejo, a sul, e a sinuosa serra em rumo ao Atlântico. Autêntico museu botânico, o Parque da Pena foi concebido paralelamente com o Palácio da Pena, de que é um prolongamento natural. No seu espaço avultam, além de mais de 30 monumentos, de significativo teor iniciático, algumas árvores de maior porte no país, bem como de um arvoredo recheado de exuberante diversidade de espécies. A visita ao local é obrigatória.

Construída entre 1900 e 1912 pelo arquiteto italiano Luigi Manini, a Regaleira, quinta e capela, apresentam em estilo neomanuelino, uma simbólica esotérica relativa à tradição mítica portuguesa e a correntes iniciáticas tradicionais. Situada no centro histórico da cidade, a quinta (chácara) é uma das mais bonitas e aristocráticas da região. Por suas peculiaridades tornou-se uma das mais visitadas atrações de Sintra.

No livro Portugal Misterioso podemos ler: uma das características mais evidentes deste conjunto arquitetônico é um neotemplarismo cujos símbolos, como as cruzes templárias. Estão presentes no fundo de um monumental poço iniciático e na capela (a qual tem uma cripta, cujo chão é um maçônico pavimento mosaico).

Essas cruzes templárias revelam, juntamente com outras referências maçônicas, uma filiação espiritual relativa às Ordens do Templo e de Cristo, recriadas, eventualmente, num contexto maçônico-templário, de que é exemplo notável o "delta luminoso", ou o "triângulo radiante", símbolo do Grande Arquiteto do Universo, sobreposto a uma Cruz Templária. Além destes pormenores citados, é bom ver as as três graças do teto, a cripta, a fonte da casa egípcia, o Poço e a gruta de Leda.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.03.99
Quinta-feira