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Despedida do festival
atraiu multidãopor
FLÁVIA DE GUSMÃO
ENVIADA ESPECIAL
Tradicionalmente, a última noite dos
festivais em Garanhuns são aquelas que reúnem um
público maior. A noite de sábado não foi diferente: a
Praça Guadalajara estava literalmente abarrotada - uma
multidão que se espalhava até onde a vista alcançava,
atraída pelas atrações anunciadas: Cordel do Fogo
Encantado, Mundo Livre S/A, Jorge Benjor e, de última
hora, Gerado Azevedo.
A Cordel do Fogo Encantado fez uma
apresentação surpreendentemente longa, o que, de certa
forma, contribuiu para que o seu inegável impacto visual
fosse arrefecendo ao longo dos mais de 60 minutos de
apresentação. O forte conteúdo regionalista - com
excessivas referências às adversidades enfrentadas pelo
nordestino com a seca - impactou a audiência e conseguiu
uma linha de comunicação direta com ela, mesmo não
estando exatamente nos moldes das atrações "cante
comigo essa canção".
A trupe de Arcoverde tem uma proposta
cênica interessante, que se apóia nos folguedos
regionais e na literatura de cordel, nos grandes poetas
populares. A apresentação era um misto de récita
poética e fusão rítmica talvez não completamente
absorvida por um público ávido pela
"facilidade" anunciada de Jorge Benjor. Mas,
diversidade foi a tônica deste festival e o Cordel se
mostrou um grupo maduro, pronto para gravar, o que aliás
estavam fazendo, ao vivo, bem ali na Guadalajara.
Geraldo Azevedo foi recebido com
expectativa e aplausos. O filho de Petrolina tem um lugar
cativo no imaginário romântico nordestino e provou que
suas composições não sairão tão facilmente da
memória. Começou com Encontro para logo depois emendar
com Quando Fevereiro Chegar, para a qual convidou ao
palco o músico César Michilles (flauta e sax) - uma
alavanca extra e forte durante toda sua apresentação.
Absolutamente virtuoso, por exemplo, foi o duelo de
violão e flauta em Bicho de Sete Cabeças. A platéia
delirou. Comentários como: "isso sim é que é
música" era facilmente ouvido entre os mais velhos
e Geraldinhos não deixou praticamente nada de fora: Dona
da Minha Cabeça, Dia Branco, Menina do Lido e Taxi Lunar
também fizeram parte do repertório do show.
Mundo Livre S/A está cada vez melhor,
mais afiado no palco - prática que não lhe era muito
comum. Começou com a inédita Santiago das Artes e
emendou com Quem Tem Groove Tem Tudo, do último CD,
Carnaval na Obra. Uma das maiores virtudes do show foi,
realmente, equilibrar o repertório com música dos três
CDs já lançados e ainda servir à platéia um aperitivo
do que será o próximo, como na canção Por Pouco, que
vai cair no gosto da galera. Zero Quatro aliviou os
costumeiros discursos (fez unzinho só) e produziu um
maremoto na multidão com os sucessos Musa da Ilha
Grande, Bolo de Ameixa, Free World, A Bola do Jogo e
Computadores Fazem Arte.
Jorge Benjor fez um show burocrático,
que em nada lembrou os grandes momentos de quando o
artista foi catapultado de volta à fama por uma
competente campanha publicitária. Era possível até
advinhar o que aconteceria depois: Começou com a Banda
do Zé Pretinho e seguiu por esse caminho, erraticamente:
W/Brasil, O Telefone Tocou, País Tropical e Que
Maravilha. Um trivial variado com execeção da
emocionante jam com Fred Zero Quatro (completamente
extasiado por tocar com quem ele chamou de
"mestre"), já no bis, quando juntos mandaram
ver Taj Mahal e, novamente, Zé Pretinho. Valeu.
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