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FIG II
Querosene com nova personalidade

Na noite de sexta-feira, a Praça Guadalajara demorou para esquentar e, até a entrada da Querosene Jacaré, a atração mais aplaudida foi mesmo a apresentadora Graça Araújo. Até então, a Eletrosoul fez um show meio incompreensível - em texto (microfonia não é sujeito e grito não é predicado) e imagem (a influência que eles confessam ter de Jamiroquai já está ameaçando virar espírito obssessor). Beto Normal apresentou uma coleção que não acrescentou muito, nem em material, nem em tendência, nem em cor e nos faz pensar se realmente foi uma boa idéia essa de colocar desfiles de moda entre as atrações musicais da noite: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e as duas - moda e música pernambucanas - estão em patamares distantes de maturidade.

Alfaia (se fosse ele eu proibia de dizerem "o novo vocalista do Querosene" para não ficar o tempo todo lembrando que o "velho" foi tão marcante assim. Bola pra frente galera) entrou com "fome de palco", para não sair do terreno do clichê futebolístico. O Querosene mostrou suas novas canções Vou de Kombi, Quero Ver o Circo Pegar Fogo e Problema de visão (e até informou que elas podem ser ouvidas via internet no site do manguenius), mas agradou universalmente com seus velhos hits (prova que a rapaziada tem o talento raro e valioso de se fazer entender e colar na boca de todos como qualquer sucesso que se preze). Vejo Você Passar, Pra Ficar Xique, Georgia, a Carniceira e Legalize o Bob eram, gritadas, solfejadas e assoviadas até pelos PMs.

Naná Vasconcelos, no comando de mais de 20 músicos e bailarinos, encheu os olhos com um espetáculo didático onde tinha de um tudo: caboclo-de-lança, passistas, rainha de maracatu, rodas de coco e ciranda acompanhados, é claro, pelas respectivas trilhas sonoras. Um show de profissionalismo feito sob encomenda para apresentações bombásticas, principalmente no exterior. Naná funcionou mais como um maestro do que o virtuose da percussão que é e cedeu espaço ao irmão Erasto.

A esperada "atração internacional" Pato Banton conseguiu segurar a multidão na Guadalajara até depois das duas da manhã. Tarefa nada fácil se levarmos em consideração a garoa que até então tinha dado trégua e recomeçava a cair. Não fez nada de novo, mas tirou todo mundo do chão com seu sucesso de FM Go Pato e acalmou os ânimos com Redemption.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.07.99
Segunda-feira