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Clubes mudam de perfil para atrair sócios O glamour que cercava os clubes sociais já não existe, como décadas atrás, quando ser sócio de um deles, como o Internacional, ou o Português era sinônimo de status. Esta imagem de riqueza ainda resiste em clubes como o Cabanga ou o Caxangá Golf Club, mas vem perdendo o pique, devido ao novo cenário em que eles se encontram. Os grandes bailes e eventos chiques de antes, deram lugar a um novo tipo de atração: o esporte. Cada vez mais, os clubes se dedicam às atividades esportivas, para atrair a atenção do público e chamar os sócios para dentro. Cada uma das pessoas que convivem diariamente com os clubes têm uma explicação para a mudança de perfil. O gerente geral do Português, Otávio Wanderley, acredita que a cidade oferece muito mais opções de diversão atualmente. O Clube se destacou bastante na década de 70 com seus bailes Carnaval, mas hoje em dia só restou o Municipal. "Hoje existe o Recife Antigo e muitas outras festas", avalia o gerente, tentando dar uma explicação para a debandada de sócios do Português. O hóquei e a natação são os destaques da parte esportiva que foi fundada há 20 anos. O Cabanga Iate Clube é um dos poucos que estão investindo na área física. A atual presidência, denominada de comodoria, está construindo uma quadra coberta para a prática de tênis, uma academia de ginástica, pista de cooper e até mesmo um salão de beleza para chamar a atenção do associado. "Em todo condomínio residencial existe piscina. Isto já não atrai mais as pessoas", acredita Ricardo Dubeux, vice-comodoro do Cabanga. "Fizemos uma pesquisa e descobrimos que as pessoas querem menos despesas em itens como academia. Queremos dar serviço", ressalta. Para o comodoro do Cabanga, Sérgio Mota, não existe crise. "Não concordo com a visão da perda de freqüência dos clubes. Acontece é que alguns deles se deterioraram, como o Português que hoje vive de shows de bandas de pagode", alfineta. Ele acha natural não haver mais a tradição dos carnavais fechados. "Isto é mutante. A festa saiu de dentro para invadir as ruas", avalia. O diferencial do Cabanga sempre foi a náutica, talvez por isso o clube nunca passou por maiores problemas e até arrisca cantar vitória. "Vendemos 68 títulos patrimoniais em apenas nove meses, em um época de crise econômica. É uma boa performance", acredita o comodoro. Ainda dentro do aspecto econômico, Mota explica que comandar um barco deixou de ser coisa de gente rica. Segundo ele, com apenas R$ 800 é possível comprar um pequeno barco da categoria laser. Mas antes de adquirir qualquer embarcação, ele faz um convite. "Quem se interessar pode se inscrever nos cursos de vela do nosso clube", divulga. A crise também passa longe do The British Country Club, um dos menores em área do Recife, com 4,3 hectares. No entanto, este é um dos mais restritos clubes do Recife e com uma tradição de 79 anos. São apenas 500 sócios proprietários mais os dependentes que podem desfrutar de quatro quadras de tênis, um campo de futebol, sauna, piscina, sala de musculação, sinuca e pista de cooper. Os títulos que aparecem à venda são disputados à tapa e, mesmo assim, o novo associado passa pelo crivo do conselho diretor. Sua história se assemelha ao do Caxangá Golf Club nas origens. Os dois foram fundados pela colônia inglesa que veio ao Recife durante a instalação da Pernambuco Tramways. Já no Caxangá Golf Club, a principal preocupação é com a "santa tríade" hipismo, golf e tiro e, mais recentemente, o tênis. O presidente Roberto Veiga admite que o clube "inexiste" na parte de festas, mas isto não o preocupa de forma alguma. "O sócio agora quer vir para fazer algum esporte, ou eventos ligados a eles", ressalta. Para o presidente, a piscina e as festas que antes reuniam a família já não surtem mais efeito. "O que traz as famílias aos clubes agora são os esportes, que é muito importante para as crianças", avalia. O clube sedia vários campeonatos e coleciona um grande números de títulos nas mais variadas modalidades. Tudo resultado das escolinhas esportivas, que são a principal isca para atrair novos sócios. O esporte foi o que atraiu a professora de golfe Ana Rosa Gaio ao Caxangá há 25 anos. Desde criança ela joga golfe no Clube e três anos atrás foi chamada pela direção para integrar o time de professores. "Como eu era uma das melhores no esporte, eles me chamaram", relembra. De acordo com Ana Rosa, o golfe vem perdendo praticantes e ela avalia que os motivos sejam financeiros. "Muita gente deixa de pagar o clube ou não tem estímulo para jogar por falta de apoio ou patrocínio". Outro fator que ajuda a afastar as pessoas é justamente o "preconceito". "O pessoal quando passa na avenida acha que aqui é um local de ricos. O que não é verdade. O Caxangá não é caro", informa. A moda das escolinhas não é de exclusividade do Caxangá. Aliás, todos apostam na força das crianças para conseguir formar grandes atletas e continuar lutando contra as outras atividades que a cada dia chegam à cidade, ampliando o leque de diversão. |
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