SPORT IV
Perfil do ídolopor LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA
Artilheiro da Copa do Mundo de 50,
Ademir Marques de Menezes foi disparado a maior
contribuição dada por Pernanbuco à história do
futebol pátrio. Nascido no Recife em 1922, no Pina,
começou no juvenil do Sport com idade de 19 anos, em
1941, elevado à condição de titular, sagrou-se
campeão invicto e artilheiro do campeonato, ao lado do
já então veterano Tará do Santa Cruz, ambos com 11
gols. O queixada, como era chamado o Ademir, por causa da
exagerada projeção do mento que lhe conferia um perfil
difícil de ser confundido, o que facilitava a vida dos
caricaturistas da época, estourou na vitoriosa excursão
do Sport ao sul do País, em dezembro a março de
1941-1942. Foi de pronto contratado pelo Vasco da Gama.
Após curtir bom tempo na reserva - o Vasco tinha na
ocasião gente demais para o ataque, Lelé, Isaías,
Jair... -, terminou entrando no time, nem sempre numa
posição fixa, exclusivamente sua. Meia ou ponta, pouco
importava. Melhor quando aparecia pela esquerda, ainda
melhor quando escalado para jogar na posição de
comandante do ataque. O craque pernanbucano não diminuia
de rendimento pelo rodizío que lhe impunham o técnico
do Vasco e a circunstância de jogar num time com excesso
de excelentes atacantes. Na Seleção Brasileira, no
Sul-Americano do Chile de 1946, quando estreou com a
camisa da Seleção Brasileira, como do mesmo modo
também tinha atacantes sobrando à disposição do
treinador Flávio Costa, foi escalado na ponta esquerda,
formando aquela que iria ser considerada como uma das
melhores linhas de ataque do continente em todos os
tempos: Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair e Ademir.
Ademir foi quatro vezes campeão
carioca pelo Vasco da Gama (45-47-49-52), e uma vez pelo
Fluminense (1946). Duas vezes artilheiro do campeonato,
em 1949 (30 gols) e em 1950 (23). Foi ainda Campeão dos
Campeões pelo Vasco, no Torneio Internacional do México
em 1948. Três vezes campeão brasileiro pela Seleção
Carioca (44-46-50). E, por fim, glória maior, artilheiro
do mundo em 1950 (nove gols).
Com a carreira encerrada, disputou no
início de 1957 parte de uma partida amistosa - trinta e
cinco minutos - pelo Sport, na ILha. Tinha na ocasião 37
anos. E cumpria a promessa de se despedir do futebol com
a camisa do time que começou quando menino, no gramado
onde havia dado os primeiros passos em direção à fama.
O adversário foi o Bahia e o ataque rubro-negro iniciou
assim o amistoso histórico: Traçaia, Naninho, Ademir,
Soca e Géo. Mais uma tarde de glória para o Queixada.
Para o torcedor do Sport, um momento de sonho.
* Lucídio José de Oliveira é
médico e autor do livro O Náutico, A bola e as
Lembranças
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