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MERCADO
Estado exporta profissionais

por HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br

Reconhecido como um dos maiores pólos de informática do País e centro de excelência na formação de profissionais do setor, Pernambuco torna-se famoso também pela capacidade de exportação de profissionais gabaritados para os demais estados brasileiros e até para o exterior. Considerada positiva para alguns - afinal, vence quem paga mais - ou motivo de preocupação para outros - muitos estão indo embora! -, a migração dos informatas toma conta de um mercado que não pára de crescer - a indústria da tecnologia evolui cerca de 12% ao ano.

Quem já se foi não se arrepende da mudança e vê a migração de mão-de-obra qualificada como um ponto positivo para Pernambuco, que reforça sua posição no ranking dos estados com melhor capacidade de formação de especialistas no setor. Fred Siqueira é uma das mais recentes exportações originárias da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para São Paulo. Cursando o quinto período do curso de Desenho Industrial, com especialização em design para Internet, o universitário mudou-se há cerca de duas semanas e já trabalha como diretor de arte da Urbana Web Makers, especializada em websites.

Ainda tentando transferir o curso para São Paulo, o webdesigner afirma que não faltam incentivos em Pernambuco e que a mudança ocorreu pela vontade de absorver novas experiências em um mercado mais competitivo, trabalhando com clientes maiores. "O mercado para os webdesigners no Recife é muito legal e só tende a crescer. Recebi a proposta de emprego em uma empresa premiada e resolvi aceitar o convite", simplifica.

Já Marcelo Medeiros, formado em Ciência da Computação na UFPE, hoje engenheiro de testes da Microsoft, em Washington, afirma que faltam incentivos, sim. Segundo ele, a globalização e a falta de reconhecimento do profissional no Brasil são os principais fatores das buscas por novos mercados. "Se uma pessoa possui um emprego que lhe remunere bem, existe muito pouca chance dela sair do Estado ou do País", diz.

Fernando Sodré, sócio da Bússola Tecnologia, empresa recifense que atua nas áreas de geomarketing e publicidade na Internet, com escritório em São Paulo, hoje trabalha também na empresa Harte Hanks, especializada em tecnologia para marketing, sediada no Texas, com representação em São Paulo. Segundo o profissional, formado no Departamento de Informática da UFPE, a exportação de mão-de-obra qualificada tem uma resposta simples, ela chega como uma tendência natural do mercado. "É preciso maturidade para se avaliar onde está a concentração de renda, observar as regras do mercado e ver que compra quem tiver mais", afirma, citando São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília como exemplos de bons locais a serem explorados pelos profissionais do setor.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.99
Quarta-feira