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RUMO A 2000
PL recorre à matemática para lançar chapa de ex-vereadores

por CARLA SEIXAS

Um esperto cálculo matemático poderá garantir algumas cadeiras da Câmara Municipal do Recife para um grupo de ex-vereadores e suplentes que, se mantiverem a média de votos das eleições passadas, poderão conseguir um mandato nas eleições do próximo ano, ou mesmo um cargo político no Legislativo. A luminosa idéia partiu do ex-vereador e atual presidente da União dos Ex-vereadores e Suplentes de Pernambuco (Unevespe), Ivo Pitanga, e já foi aceita pelo Partido Liberal (PL).

O plano é simples: o PL lança um candidato proporcional competitivo (ainda não definido) e completa a chapa com ex-vereadores que já obtiveram entre mil e mil e quinhentos votos em eleições anteriores. Com isso, o grupo entende ser possível eleger três ou quatro vereadores. Todos os candidatos assinariam um "compromisso de honra" de, se eleitos, ocupar as vagas mais altas de seus gabinetes com aqueles que ficassem nas primeiras suplências. A idéia já conta com mais 40 adeptos.

"Queremos juntar 49 pessoas com uma votação de, pelo menos, mil votos cada, para lançarmos como candidatos. Com isso, usamos o coeficiente eleitoral para juntos elegermos três ou quatro", explica Ivo Pitanga, que com essa proposta pode até não chegar à Câmara, mas já conseguiu a vice-presidência municipal do PL. O coeficiente eleitoral é calculado dividindo-se o número de votos válidos pelas vagas na casa legislativa. Assim, chega-se ao mínimo de votos que um partido deve obter para eleger candidatos na chapa proporcional.

EQUAÇÃO ELEITORAL - A idéia de Ivo Pitanga - ex-vereador pelo PMDB de 1983 a 1988 - surgiu há um ano. Em janeiro, quando assumiu a presidência da Unevespe, ela tomou forma e ganhou adeptos. Primeiro, foi preciso escolher um partido que aceitasse o grupo para liderar essa "equação" eleitoral. O próximo passo foi traçar o perfil dos possíveis candidatos onde também sairia uma comissão para coordenar o projeto.

"Formamos uma comissão com algumas pessoas que tiveram votação expressiva nas últimas eleições em que concorreram", diz Ivo Pitanga. Os membros são o próprio Ivo, os também ex-vereadores Luiz Nery e Sílvio Ferreira, e os suplentes Lindinalva Barros e Manuel Pinheiro. Todos tiveram votação aproximada ou superior a 1.000 votos nas últimas eleições municipais (96).

Nem todos estão certos de que vão sair candidatos, mas reconhecem que "a união faz a força" e que eles têm grandes chances de chegar lá. "Ainda não me resolvi se serei realmente candidato, mas acho a idéia muito boa. É pura matemática", diz Luiz Nery, atual secretário-geral do PL. Economista, ele se elegeu vereador em 82 com 3.200 votos. Em 88 tentou nova candidatura, obteve 1.400 votos mas não se reelegeu.

O presidente municipal do PL, Díbulo Veras, acatou a chegada dos novos partidários. "O partido vê com muita simpatia a iniciativa deles. Achamos democrático. Atualmente, a Câmara Municipal está repleta de segmentos, como os evangélicos, por exemplo. A população em geral não tem quem a defenda", relata o presidente, acentuando que ainda não há nada definido em relação à chapa majoritária.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.07.99
Segunda-feira