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MAIORCA Muito mais do que belas praias na costa espanhola por DANIELA DE LACERDA
Desde que foi habitada pela primeira vez, no ano 7.200 a.C., Maiorca mantém uma movimentada história de conquistas. Antes de encantar todas essas pessoas, já foi cobiçada e ocupada por fenícios, gregos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos e árabes. Hoje, sob domínio espanhol, é democraticamente vivida por gente de todo o mundo, que viaja em busca de suas ensolaradas praias, famosas pérolas, inventiva gastronomia, singulares paisagens e importantes monumentos históricos. Situada no sugestivo Mar Mediterrâneo, Maiorca fica a 248 quilômetros de Barcelona e é a maior das Ilhas Baleares, arquipélago que reúne, ainda, a badalada Ibiza e as menos conhecidas Menorca e Formentera. Maiorca responde por 70% do número de visitantes que chegam anualmente às Baleares, fazendo do turismo o responsável por 60% do PIB do arquipélago. A população residente soma apenas 628 mil habitantes e já se acostumou a ver pelas ruas mais alemães do que espanhóis: nada menos que 3.635.500 deles visitaram a ilha no ano passado. Já brasileiros quase não são encontrados. A maioria ainda não descobriu a ilha e restringe o roteiro em terras espanholas à capital Madri ou à efervescente Barcelona. Na próxima visita a um desses dois destinos, realmente irrepreensíveis, vale esticar até Maiorca. O melhor é partir de Barcelona. A viagem até Palma, a capital maiorquina, dura uma hora, de avião, e cerca de oito, em barco a vapor. Uma vez na cidade, o melhor transporte é mesmo sua disposição para andar e sair descobrindo as atrações locais. Os turistas alemães geralmente vão em busca do óbvio: as belas praias do Mediterrâneo, cheias de jovenzinhas e senhoras de idade que usam biquinis enormes e adoram o tal do topless. Para nós, brasileiros, e ainda mais nordestinos, um litoral estarrecedor não é novidade nem justifica uma passagem à Espanha. O melhor é deixar as ruazinhas da parte antiga de Palma lhe levarem a um nostálgico passeio pela história da cidade. O óbvio, aqui, é iniciar a visita pela Catedral. Não há motivo para quebrar a tradição. Primeiro, porque o lugar é adorável. Depois, porque representa um bom começo para conhecer o passado dos maiorquinos. Dedicada à Virgem Maria e chamada simplesmente de Catedral de Mallorca, ela foi toda construída em pedra, entre os séculos 13 e 16, ostentando várias fases do gótico. Foi lá que Gaudí passou várias e várias horas de sua temporada em Maiorca, criando as tribunas laterais, os candelabros em ferro forjado, e a coroa modernista sobre o trono - na verdade, uma maquete em papel marchê; Gaudí morreu antes de fazer a definitiva, também em ferro forjado. Se ousaram ao incorporar a personalidade irreverente do arquiteto à estrutura da Catedral, os maiorquinos mantiveram-se conservadores quanto às tradições religiosas. Rebuscadas e valiosas peças barrocas compõem o Museu do Tesouro instalado na Catedral e ainda são utilizadas nas celebrações mais importantes, seguidas à risca, ano após ano. A maior e mais impressionante característica da construção, no entanto, são os seus vitrais. O projeto, ainda sem conclusão, prevê 88. O principal tem 12 metros de diâmetro, ocupando uma área de 90 metros quadrados (maior do que muito apartamento de dois quartos). Igualmente grandioso é o Castillo Bellver, que se diferencia dos demais castelos góticos por ser uma construção redonda, quando a maioria é retangular ou quadrada. Erguido entre 1300 e 1312, abriga um museu da história da cidade e é considerado o edifício medieval melhor conservado da Europa. No verão, concertos de música clássica são realizados no pátio, enquanto Palma descansa morro abaixo, desenhando uma das mais impetuosas vistas da costa espanhola. * Viajou a convite do Centro Oficial de Turismo Espanhol e da Spanair |
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