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ASSISTÊNCIA
HSE ignora lei e não atende Mestre Salu

O presidente do Maracatu Piaba de Ouro, Manoel Salustiano Soares, o Mestre Salustiano, só conseguiu passar por uma cirurgia de urgência, para substituição do marcapasso, após mais de três horas de negociações dos seus amigos e familiares junto ao Hospital dos Servidores de Pernambuco (HSE). Mesmo tendo o direito de ser atendido no HSE ou na rede conveniada, por ser funcionário da Prefeitura de Olinda, o Mestre somente conseguiu ser operado no Realcor, do Hospital Português, por volta das 16h20 de anteontem, com a colaboração da direção da unidade de saúde. A intervenção foi bem-sucedida e o paciente foi transferido da sala de recuperação para o apartamento 126, no início da noite de ontem.

"É preciso que uma pessoa importante passe por uma situação difícil para que se tenha mais respeito pelo cidadão", desabafou a escritora e amiga de Salustiano, Leda Rivas. Junto com Manoel Salustiano Filho, ela tentou em vão conseguir a autorização do HSE. "Com a definição dos médicos que o acompanham há 10 anos, iniciamos uma peregrinação no HSE para ter a autorização para que ele fosse atendido no próprio Realcor, já que era uma urgência", lembrou Leda, acrescentando que o HSE deveria cumprir a liminar concedida pela Justiça garantindo o atendimento dos servidores de Olinda no HSE ou nas unidades conveniadas. A cirurgia acabou sendo feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Salustiano teve problemas cardíacos desde sexta-feira. A situação se agravou segunda e ele foi levado direto para emergência do Realcor, às 10h30. Ontem, já na sala de recuperação, estava descontraído. "Graças a Deus estou novo agora e espero poder começar a brincar de novo", afirmou. Através de sua assessoria, a direção do HSE justificou que a autorização não foi dada porque o tipo de atendimento poderia ser feito no HSE e não haveria a necessidade uso dos serviços da rede conveniada.

O atendimento aos servidores de Olinda só se normalizou no início da tarde de ontem, após a ameaça do Sindicato dos Servidores Municipais (Sismo) de recorrer à Justiça para garantir o cumprimento da liminar do juiz Sílvio Beltrão. "O Ipsep alegou que precisávamos fazer novas carteiras. Mas a minha só vence em 2001", cobrou Severina Alves, diretora de Imprensa do Sismo. Após longa negociação, o presidente do Ipsep, Maviael Cavalcanti, autorizou o atendimento mesmo sem a renovação das carteiras.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.07.99
Quarta-feira