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PADRE MARCELO ROSSI

Celibato: 1000 anos de polêmica

por INÁCIO STRIEDER

Existem no Brasil atualmente alguns milhares de padres casados. Mas todo este potencial cristão é rejeitado, discriminado e evitado pela instituição oficial da Igreja Católica. A maioria dos bispos, por exigência de Roma, procura dificultar a ação cristã dos padres casados, proibindo que eles tenham qualquer participação na vida da comunidade católica. São vistos como perigosos para a Instituição. E até, de forma totalmente anticristã, procura-se caluniá-los e rebaixá-los perante os leigos. Há pouco um bispo explicava a seus seminaristas: "Padres casados? Que nada, amancebados!" Diante desta atitude inquisitorial, de grande parte da hierarquia oficial da igreja contra os padres casados, é oportuno pergungar pelas raízes de tal discriminação, pois não é de supor que uma atitude assim remonte a Jesus Cristo e aos seus Apóstolos.

Recorrendo aos textos do início do cristianismo, verificamos que todos os apóstolos, com exceção de João e depois Paulo, foram casados. Relata-se que Jesus curou a sogra do 1º Papa (o apóstolo Pedro). Portanto, Cristo não colocou o celibato como condição para a escolha de seus discipulos. Nem os apóstolos fizeram tal exigência para ordenar presbiteros, diáconos e bispos (epíscopos). ordenar:"... o candidato deve ser irrepreensível, esposo de uma única mulher, e seus filhos devem ter fé e não serem acusados de maus costumes, nem de desobediência" (Ti 1,6). E a Timóteo, o mesmo Apóstolo manda que só sejam escolhidos como bispos (epíscopos) homens irrepreensíveis, esposos de uma única mulher, ajuizados, equilibrados, educados... homens que saibam dirigir bem a própria casa e cujos filhos lhes obedeçam e os respeitem (Cf. 1Tm 3, 1-7). E no capítulo 4º da mesma carta a Timóteo, Paulo considera doutrina demoníaca proibir o casamento a alguém.

Diante da atitude de Jesus e do ensinamento dos Apóstolos como então entender que a Igreja Católica proíba o casamento aos presbíteros (padres e bispos)? Como se pode observar, o celibato não é uma exigência teológica, mas questão puramente histórica e de legislação eclesiástica. Portanto, segundo as conveniênicas, o Papa simplesmente poderia mudar a legislação e acabar com o celibto obrigatório para os padres exercerem suas funções. É preciso também notar que o celibato obrigatório para os padres só existe na igreja Católica Romana de rito latino, isto é, para aquela parte da Igreja que antigamente rezava a missa em latim. Há, por exemplo, os padres maronitas do Líbano, unidos a Roma, que em sua maioria são casados.

Coloquei como título desta reflexão: "celibato - 1000 anos de polêmica". De fato a polêmica sobre este assunto é mais antiga. Em diversas religiões há sacerdotes celibatários. Além dos sacerdotes há na história da humanidade outros líderes religiosos, políticos, cientistas, filósofos que optaram pelo celibato. Muitos deles sublimaram suas energias sexuais e deixaram um testemunho de vida como grandes benfeirotes da humanidade. Com o historiador Arnold Toynbeee poderíamos, por isto, assinalar que entre os celibatários podemos encontrar grandes personalidades, mas também grandes frustrados. Mas, sem dúvida, a humanidade de hoje seria mais pobre sem muitos dos seus celibatários qe honraram sua história. Por isto mesmo, na imitação do celibato de Cristo, de São Paulo e de outros grandes celibatários cristãos, nunca o cristianismo deixará de ter seus monges, religiosos e outros dirigentes celibatários. Mas a polêmica histórica do celibato nunca arrefecerá na Igreja enquanto Roma não deixar de considerar o sacramento do matrimônio inferior ao sacramento da ordenação sacerdotal. Casamento e sacerdócio cristão não se excluem. Ainda mais porque, em primeiro lugar, todos os cristãos são sacerdotes, isto é, pessoas que por sua vida devem buscar mediar sinais de Deus aos homens. E o padre nada mais é do que um sacerdote a serviço da comunidade. E como, sendo o casamento um sinal visível de Deus no mundo, como então proibir a alguém que deve colocar sinais de Deus, que em sua própria vida assuma um destes sinais, que é o casamento?

Não acho que os padres (sacerdotes) casados devam necessariamente rezar missa, etc... O sacerdócio cristão não se resume à administração dos sacramentos. O que considero lamentável é que estes padres casados, em vez de serem animados, como irmãos, a viverem seu sacerdócio no ambiente de sua profissão e de sua comunidade, sejam discriminados, caluniados, rejeitados pela hierarquia da Igreja.

* INÁCIO STRIEDER é professor na UFPE e membro do Grupo de leigos católicos Igreja Nova

Jesus X ladrão

por AVANÍSIA MARIA DE SOUZA*

Jesus falou: "Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo; o ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que tenham vida e vida completa." (João 10:9 e 10)

Estamos diante de duas propostas:

Jesus: porta, salvação e vida completa;

Ladrão: roubar, matar e destruir.

Lamentamos profundamente pela opção que muitos fazem ao rejeitar um compromisso com Jesus não O aceitando como a porta e, portanto, perdendo a oportunidade da salvação e de uma vida completa em todos os aspectos: físicos, espirituais, materiais, emocionais, profissionais...

Portanto, ao rejeitar a primeira proposta deixam margem para a segunda, ainda que inconscientemente talvez.

E aí começa a atuação do ladrão de vidas, que só se satisfaz em roubar, não só no sentido material, mas em outras dimensões.

Quantos sorrisos roubados, quantos perderam sua paz interior, sua infância, a adolescência, muitos sequer chegam a juventude, pois foram escravizados pelos vícios mais diversos: prostituição, alcoolismo, drogas, DST e outros mais.

Ficamos tristes ao percebermos que muitas vidas, famílias, instituições têm tido seus valores roubados, seus membros mortos, com pensamentos, palavras e ações e uma onda reinante de destruição.

Destruição da própria natureza e, conseqüentemente do próprio ser humano.

E o ladrão continua agindo:

ROUBANDO, MATANDO E DESTRUINDO

Rouba o respeito pelo próximo, o temor a Deus, e ao perder esse referencial, passa a matar as relações interpessoais e, como conseqüência, acaba destruindo a família e as instituições que formam a sociedade.

Pois "um abismo chama outro abismo" e as conseqüências são desastrosas: pais contra filho, filho contra pais, irmão contra irmão, mães enlutadas por seus filhos, filhos órfãos e pais abandonados ou desamparados.

Muitos analisam apenas pela ótica humana, culpando os governantes por falta de tudo, certamente há uma parte de responsabilidade, a qual realmente lhes devem ser atribuídas e cobrada, os famosos Direitos e Deveres do Cidadão.

Mas, é necessário ir além desta visão, é preciso visão espiritual, sabedoria e discernimento para compreender os acontecimentos e interferir no que for possível.

Já disse alguém que "a Bíblia é mais atual que o jornal de amanhã". E realmente é, pois cada assunto que surge como novidade já está previsto em suas páginas. Portanto, "errais não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus". Conheceis a verdade (Jesus) e a verdade vos libertará, pois Jesus afirmou: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai senão por Mim".

* AVANÍSIA MARIA DE SOUZA é pedagoga, evangélica e secretária Municipal de Educação de Santa Cruz do Capibaribe (PE).


Jornal do Commercio
Recife - 28.07.99
Quarta-feira