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A glória de brincar Começa - e começa muito bem o campeonato nacional de futebol. A média de gols é louvável e promissora: acima de três, por partida. E como ainda há muita estrada pela frente, deixo de lado o futebol pra curtir o heroísmo de gente que nunca sai no jornal: é o Wanderlei Cordeiro, medalha de ouro na maratona de Winnipeg; é a Maurren Higa, que tem nome de gringa mas que é brasileiríssima, dos pés à cabeça, como bem o atestam as unhas das mãos todas pintadinhas com a bandeira brasileira. Azar de quem pensa que é chauvinismo de minha parte. A verdade que o brasileiro, homem ou mulher, é mesmo bom de esporte. Não é só futebol, nem vôlei, nem basquete, jogo com bola, enfim. É qualquer um. Basta dar um pouquinho de gás aos meninos e às meninas que eles fazem acontecer, seja atletismo, seja natação, seja canoagem, seja hipismo, seja vela, seja ginástica. Se os homens do poder derem uma força, um dia ainda acabaremos faturando medalhas no badminton. Adhemar Ferreira da Silva, João do Pulo, Joaquim Cruz são autênticas fulgurações do esporte solenemente ignorados no país do futebol. Se o cronista esportivo não for capaz de explicar o fenômeno, um sociólogo, antropólogo, de certo, saberá. É só perguntar ao professor Roberto Da Matta. E as moças? Vocês tem visto o estrago que anda fazendo em Winnipeg a equipe de pólo aquático? Derrotou as americanas, 8x6, e, no dia seguinte, enfiou 20x0 nas portorriquenhas. Domingo, a Camila fez seis gols na partida com Porto Rico. Dois mais que o Luizão, no jogo do Corinthians com o Gama. E quem é a Camila? Ora, que eu saiba, segundo os dicionários de nomes, a Camila é uma sacerdotisa de Deus. Sua benção, pois, nobre Camila! O brasileiro adora brincar. Poucos povos, no mundo moderno, justificam tão bem a teoria do "Homo Ludens", de que nos fala o holandês Huizinga. E o que vem a ser saltar, correr, senão o ato singelo de brincar? O que é jogar bola senão se divertir com um brinquedo fraternal? No reverso de cada medalha brasileira em Winnipeg pulsam, contentes, as três raças primordiais do nosso povo. UM NOVO TEMPO - A Seleção se deu bem no começo da Copa das Confederações, no México. Não é sopa, nem nunca será, um jogo contra a Alemanha. Quem achar que a Alemanha de hoje não é a Alemanha de sempre pode se dar mal. É como desmerecer a Argentina ou a Itália ou a Holanda. Wanderley Luxemburgo me parece estar conduzindo muito bem a Seleção. No jogo com a Alemanha, escalou uma meia-cancha combativa e, mais adiante, daria mais leveza à equipe com a entrada de Warley e Alex. Taticamente, a equipe brasileira talvez esteja começando a viver um tempo promissor, depois de tantos anos sem que se visse, em campo, uma equipe acionada por idéias mais arejadas. No primeiro momento, todos estranhamos que Wanderley Luxemburgo tivesse escalado, contra os alemães, uma brigada de volantes de feitio tradicional. Ora, pensando bem, Vampeta e Zé Roberto têm muito pouco a ver com sovado cabeça-de-área. Os dois podem perfeitamente ser definidos como jogadores de qualidade superior, com nítidas virtudes ofensivas e defensivas. São armadores de fina estampa, mas capazes de combater com vigor, eficiência e constância. E, então, eu me pergunto: não terá chegado a hora de se repensar velhos conceitos? De reconsiderar a própria nomenclatura do futebol? Afinal, como nomear o futebol de um Vampeta, de um Zé Roberto? O mesmo Zé Roberto que acabou de desarmar um rival na faixa central do campo, no momento seguinte, converte-se em ponta-esquerda, chega à linha de fundo e põe um artilheiro na cara do gol. Quando não faz ele mesmo o gol. A nova comissão técnica da Seleção está procurando sepultar antigos tabus. Tabus e preconceitos que, ao longo do tempo, engessaram o futebol brasileiro, levando de cambulhada a própria crônica esportiva. UM POUSO DE EMERGÊNCIA -" Saiu nos jornais, com a surrada imprecisão das reportagens apressadas, que caiu um ultraleve na praia do Leme, domingo. Não houve queda coisa nenhuma. Em nome da aviação esportiva, da qual faço parte, trago a versão exata do fato: o ultraleve voava, não em cima da areia como foi noticiado, e sim, fora da arrebentação, como manda o regulamento do DAC. Houve pane de motor. O piloto, então, num procedimento de emergência, fez um pouso correto (era um anfíbio), sem que houvesse qualquer dano pessoal ou material. A deriva, o aviãozinho teve que ser rebocado por uma lancha. Infelizmente, antes de chegar à areia, uma onda mais pesada pegou o bichinho de mau jeito despedaçando-lhe a asa e a cauda. TRIUNFO E DERROTA - "Na garupa do sucesso, vem, sempre, o fracasso". A máxima é de Roberto Shinyashiki, o guru da motivação, doutor em matéria de alma humana. Correspondências para "Na Grande órea": Cx.Postal: 34062 - CEP: 22.462-970 -Rio de Janeiro - RJ - http://www.armandonogueira.com.br - E_MAIL: xapuri@armandonogueira.com.br |
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