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O eterno dissidente Entrevistado ontem pela Rádio Jornal, o prefeito Roberto Magalhães defendeu-se preventivamente de eventuais perguntas sobre sua conflituosa relação com o governo de FHC com esta categórica afirmação sobre o seu futuro partidário: "Saí do PFL uma vez por discordar da posição do partido de apoio aos cinco anos de mandato para Sarney. Mas não saio mais. O PFL é o meu ninho". Dito isto, e sem esconder que está de acordo com muitas das críticas que a oposição faz ao presidente da República, o prefeito elege Malan como o principal responsável para crise em que o país está mergulhado por dar atenção excessiva à política monetária e relegar a nível secundário os grandes problemas sociais da população. "Por que o ministro Malan tem que estar acima do bem e do mal"?, pergunta o prefeito do Recife ao falar informalmente sobre a reforma ministerial recém operada, que substituiu algumas peças mas manteve intacta a política econômica, que, em sua opinião, mantém uma moeda artificialmente valorizada ("na Argentina troquei real por peso com 40% de deságio"), agrava a pobreza e a miséria e as desigualdades interpessoais e interregionais de renda. Esse ponto de vista do prefeito sobre a "ditadura dos economistas" que se implantou no Brasil há mais de 20 anos coincide com o de Lula, Brizola e Arraes: trata-se de uma casta que doutorou-se na Europa ou nos Estados Unidos e veio para cá ocupar os cargos-chave no governo sem conhecer o país e o seu povo. "Quantas vezes o ministro Malan veio a Pernambuco?", pergunta o prefeito do Recife, para ele mesmo responder: "nenhuma". O prefeito se considera um homem de sorte por ter chegado à prefeitura depois dos 60, porque, se fosse um pouco menos velho, "acabaria me transformando num subversivo ou num separatista", tantos são os episódios que ultimamente o indignaram, como a negativa da CEF em liberar R$ 2 milhões para a prefeitura do Recife dos "restos a pagar" do orçamento de 98 no mesmo dia em que o Senado autorizava a rolagem de R$ 6 bilhões de títulos podres da prefeitura paulistana. Modéstia à parte Do ex-deputado Ademir Cunha sobre a promessa do prefeito de Paulista, Geraldo Pinho Alves (PSB), de, em caso de reeleição, nomeá-lo sub-prefeito de um dos distritos: "Como sou modesto, uma subprefeitura é muito para mim. Aceitaria ser administrador da "vila olímpica" que o prefeito prometeu construir durante a campanha em Maranguape I e até hoje não cumpriu". Time afinado Líder do grupo de Mendonção na Assembléia Legislativa, a deputada Teresa Duere (PFL) não arrisca prognóstico sobre o resultado da votação do veto do governador à LDO. Mas faz questão de reiterar o que Mendonça Filho já havia dito: "Se houverem apenas quatro votos a favor do veto, serão o meu, o de João (Mendonça), o de Augusto (Coutinho) e o de Augustinho (Rufino)". Mãos à obra Designado pelo governo federal para assumir o restante das obras da Adutora do Oeste que se encontram paralisadas desde fevereiro, o coronel do Exército Ferdinando Milanez, comandante do 3º Batalhão de Engenharia e Construção de Picos (PI), já está tomando pé da situação. Ontem, em Recife, teve sua primeira reunião de trabalho com o diretor do Dnocs Gaspar Uchoa. Marco não aprova o fim da Sudene Não falem em extinguir a Sudene perto de Marco Maciel. Além de se considerar "sudeniano por formação", ele não só é um defensor entusiasta do seu fortalecimento como patrocinou Aloísio Sotero para superintendente. As sequelas do Festival de Inverno Inconfidência do deputado Carlos Batata (PSDB): "Hoje, se o governador for a Garanhuns leva uma vaia". Porque a programação do Festival de Inverno deste ano foi muito inferior (em qualidade) à dos anos anteriores. Área difícil Antes de solicitar ao então ministro do Exército, general Zenildo Lucena, a indicação de um oficial superior das Forças Armadas para a Secretaria de Defesa Social, o governador teve o desprazer de ouvir um "não" do ex-superintendente da Sudene, general Newton Rodrigues. Isso é a prova de que o aparelho policial é o maior e mais complicado problema do seu governo. Perda de status O mais novo jornal da Adeppe traz artigo do delegado José Édson Barbosa sobre a "militarização" da segurança pública em PE. Com os seguintes exemplos: extinção da Guarda Civil (74) e transferência da Polícia Civil para a PM do controle do trânsito e da segurança pessoal do governador. O "comando único" das duas Polícias, diz ele, insere-se nessa lógica. FHC prometeu ontem em seu programa semanal "A palavra do presidente" remeter ao Congresso brevemente um projeto regulamentando todas as rádios comunitárias do país, que não estão regulamentadas ainda, segundo ele, "por questões técnicas e até políticas". Já está em Recife o vice-prefeito de Araripina, médico Valdemir Batista, irmão do ex-deputado Valdeir Batista (PSDB). A cirurgia de fígado a que se submeteu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, foi muito bem sucedida. Líderes políticos do Araripe concentraram em apenas cinco as reivindicações da região para o programa "governo nos municípios": Adutora do Oeste, Ferrovia do gesso, reconstrução da rodovia que dá acesso ao Piauí, recuperação do Hospital Regional de Ouricuri que está totalmente abandonado e, finalmente, instalação de um poço artesiano que já foi perfurado em Bodocó, cuja vazão é de 130 mil litros d'água por hora. "Se sair 10% disso, nós já nos daremos por satisfeitos", garante o prefeito de Araripina e coordenador do evento Emanuel Alencar (PSB). |
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