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GOVERNO
Bueno é a primeira baixa no Governo

por ROSÁLIA LIMA

Em sete meses de administração, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) registra a primeira baixa em seu secretariado. Encarregado da delicada tarefa de unificar - e comandar - o sistema de segurança pública, o secretário de Defesa do Estado, general de Exército Adalberto Bueno, não agüentou as pressões e o desgaste aos quais esteve submetido nos últimos meses, e pediu demissão alegando "razões pessoais", sobre as quais, recusou-se a comentar. Embora a carta oficializando a saída só tenha sido entregue ontem de manhã, Jarbas já estava previamente avisado.

Há cerca de uma semana, o general - um gaúcho que servira ao Exército em Manaus antes de vir para Pernambuco - entregou o apartamento pago pelo Estado onde residia, em Candeias, e foi morar no Hotel de Trânsito do Exército, em Olinda. O seu pedido de demissão foi imediatamente aceito. Embora procurado pelo JC, o governador não quis fazer qualquer comentário sobre o assunto. Por enquanto, a vaga de Bueno será preenchida pelo secretário-adjunto, Paulo De Biase, um civil de 47 anos que há 27 vinha atuando junto às corporações militares - como assessor jurídico e procurador -, antes de ser adjunto na Defesa Social. Ele promete que não haverá mudanças na condução do trabalho.

Oficialmente, ninguém admite saber os motivos que levaram o general a pedir demissão. Nos bastidores, porém, as informações dão conta de uma série de razões. Começa por ele não ter conseguido pôr em prática (apesar de oficializado no papel) a unificação do aparelho de segurança. Aliado isto, também pesou a falta de tato para lidar com as pressões geradas pelo corporativismo das polícias - inconformadas com a perda de status resultante da unificação - , a rigidez (comum aos militares) no encaminhamento das questões, bem como, no relacionamento com os próprios colegas secretários, e a falta de recursos para fazer funcionar plenamente, como desejava, o aparelho de segurança.

No campo pessoal, também comenta-se que a esposa do general não teria conseguido adaptar-se em Pernambuco, privada da convivência com as amigas esposas de militares e longe dos filhos que cursam universidade em Fortaleza. Na entrevista coletiva concedida, ontem à noite, o general afirma estar deixando o cargo "sem mágoa". Admite, porém, não ter conseguido operacionalizar a fusão das polícias - "Eu não posso modificar todo um comportamento de anos de existência num clic" - e que enfrentou o corporativismo das categorias policiais.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.07.99
Quarta-feira