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GOVERNO VII A crônica de uma queda que já era esperada no próprio Governo por INALDO SAMPAIO Indicado pelo então ministro do Exército, general Zenildo Lucena, conforme deixou assinalado em seu pedido de exoneração que estava pronto havia dias e que somente ontem foi encaminhado ao governador, o secretário de Defesa Social, general Adalberto Bueno, se constituiu no "primeiro erro" do Sr. Jarbas Vasconcelos. Explica-se: antes de dar posse ao secretariado, o governador disse à Rádio Jornal - sobre as mudanças que iria fazer no aparelho de segurança pública, entregando a um comando único a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros - que, pelo menos nesta área, "eu não posso errar". Errou. A subordinação do aparelho policial a um comando único, embora muito bem recebida pela população, nunca foi bem assimilada nem pela Polícia Militar e muito menos pela Polícia Civil. A PM, presa à hierarquia e à disciplina, externava a sua insatisfação apenas nos quartéis, ao passo que a Civil ironizava o general na própria dependência da antiga SSP. Em seus 228 dias como secretário, o general-de-brigada Adalberto Bueno da Cruz jamais teve o controle total da pasta e sempre foi tido pelos seus subordinados como "um estranho no ninho". Não conseguiu "enquadrar" os oficiais da PM e muito menos o corporativismo da Polícia Civil, que, malgrado a lealdade do diretor Manoel Carneiro, trabalhava diuturnamente para derrubá-lo. No seu conturbado período à frente da SDS, ele colecionou uma série de derrotas, a saber: lª) Ao definir com assessores do vice Mendonça Filho a nova estrutura da secretaria que iria ficar sob seu comando como fruto da unificação das polícias e do Corpo de Bombeiros, ele trombou com todos esses entes porque cada qual tinha o entendimento de que fora esmagado pelas outros dois. Isso perdura até o momento, o que enfraqueceu bastante a sua autoridade. 2ª) A fim de adequar a realidade salarial da PM às reformas administrativa e previdenciária, aprovadas pelo Congresso, o Governo mandou para a Assembléia um conjunto de mensagens suprimindo vantagens dos PMs. Eles se rebelaram contra os cortes e o general não teve pulso para enquadrá-los. Muito pelo contrário, teve mais de uma vez desentendimentos verbais com o comandante-geral daquela coorporação, coronel Roberto Carvalho. 3ª) Uma das promessas do novo Governo ao general foi de que não faltariam recursos financeiros para aparelhar as duas polícias pelo fato de a "segurança pública" ter sido eleita "prioridade" na campanha. Como os recursos não apareceram, ou apareceram escassamente, o general chegara à conclusão de que não valeria a pena permanecer no cargo. 4ª) Também contribuiu muito para a sua saída o desconhecimento total e absoluto dos problemas de Pernambuco, de que serve de exemplo a negativa dada por ele ao então prefeito de Floresta, Oscar Ferraz Filho, para que a PM permanecesse fazendo a sua guarda pessoal. Cerca de 30 dias após a retirada dos PMs que faziam a segurança do prefeito, ele foi assassinado em sua própria residência, fato que irritou o governador. Pelo somatório desses fatos, conclui-se: a saída do general foi muito bem aceita pelo Sr. Jarbas Vasconcelos, que só não o exonerou antes por ele ter sido uma indicação, a seu pedido, do então ministro do Exército. O general, por sua vez, estava tão ansioso para sair que ao redigir sua carta de exoneração deixou a data em branco. O "27" de julho foi preenchido a mão. Para redimir-se desse primeiro "erro", o governador, até o começo da tarde de ontem, estava indeciso sobre quem convidar. Um outro general? Um coronel do Exército que se encontre na ativa? O coronel PM (da reserva) Jorge Luiz de Moura, que foi interventor de Exu no Governo Marco Maciel e comandante-geral da PM no Governo Arraes? Um jurista? Ou um delegado de Polícia? Fora daí é zebra pura. |
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