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MAIORCA
Muito mais do que belas praias na costa espanhola

por DANIELA DE LACERDA

O compositor Frederic Chopin morou numa simpática casa aos pés da montanha, durante dois meses, entre 1838 e 1839. O arquiteto Antoni Gaudí trabalhou na capital durante 12 anos, de 1902 a 1914. O pintor Joan Miró viveu vários períodos de sua vida na ilha. O ator Michael Douglas mantém uma casa na costa. Os reis da Espanha passam férias lá, todo mês de agosto. E cerca de 6.753.900 de turistas visitam a região anualmente.

Desde que foi habitada pela primeira vez, no ano 7.200 a.C., Maiorca mantém uma movimentada história de conquistas. Antes de encantar todas essas pessoas, já foi cobiçada e ocupada por fenícios, gregos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos e árabes. Hoje, sob domínio espanhol, é democraticamente vivida por gente de todo o mundo, que viaja em busca de suas ensolaradas praias, famosas pérolas, inventiva gastronomia, singulares paisagens e importantes monumentos históricos.

Situada no sugestivo Mar Mediterrâneo, Maiorca fica a 248 quilômetros de Barcelona e é a maior das Ilhas Baleares, arquipélago que reúne, ainda, a badalada Ibiza e as menos conhecidas Menorca e Formentera. Maiorca responde por 70% do número de visitantes que chegam anualmente às Baleares, fazendo do turismo o responsável por 60% do PIB do arquipélago.

A população residente soma apenas 628 mil habitantes e já se acostumou a ver pelas ruas mais alemães do que espanhóis: nada menos que 3.635.500 deles visitaram a ilha no ano passado. Já brasileiros quase não são encontrados. A maioria ainda não descobriu a ilha e restringe o roteiro em terras espanholas à capital Madri ou à efervescente Barcelona. Na próxima visita a um desses dois destinos, realmente irrepreensíveis, vale esticar até Maiorca.

O melhor é partir de Barcelona. A viagem até Palma, a capital maiorquina, dura uma hora, de avião, e cerca de oito, em barco a vapor. Uma vez na cidade, o melhor transporte é mesmo sua disposição para andar e sair descobrindo as atrações locais. Os turistas alemães geralmente vão em busca do óbvio: as belas praias do Mediterrâneo, cheias de jovenzinhas e senhoras de idade que usam biquinis enormes e adoram o tal do topless. Para nós, brasileiros, e ainda mais nordestinos, um litoral estarrecedor não é novidade nem justifica uma passagem à Espanha. O melhor é deixar as ruazinhas da parte antiga de Palma lhe levarem a um nostálgico passeio pela história da cidade.

O óbvio, aqui, é iniciar a visita pela Catedral. Não há motivo para quebrar a tradição. Primeiro, porque o lugar é adorável. Depois, porque representa um bom começo para conhecer o passado dos maiorquinos. Dedicada à Virgem Maria e chamada simplesmente de Catedral de Mallorca, ela foi toda construída em pedra, entre os séculos 13 e 16, ostentando várias fases do gótico. Foi lá que Gaudí passou várias e várias horas de sua temporada em Maiorca, criando as tribunas laterais, os candelabros em ferro forjado, e a coroa modernista sobre o trono - na verdade, uma maquete em papel marchê; Gaudí morreu antes de fazer a definitiva, também em ferro forjado.

Se ousaram ao incorporar a personalidade irreverente do arquiteto à estrutura da Catedral, os maiorquinos mantiveram-se conservadores quanto às tradições religiosas. Rebuscadas e valiosas peças barrocas compõem o Museu do Tesouro instalado na Catedral e ainda são utilizadas nas celebrações mais importantes, seguidas à risca, ano após ano.

A maior e mais impressionante característica da construção, no entanto, são os seus vitrais. O projeto, ainda sem conclusão, prevê 88. O principal tem 12 metros de diâmetro, ocupando uma área de 90 metros quadrados (maior do que muito apartamento de dois quartos).

Igualmente grandioso é o Castillo Bellver, que se diferencia dos demais castelos góticos por ser uma construção redonda, quando a maioria é retangular ou quadrada. Erguido entre 1300 e 1312, abriga um museu da história da cidade e é considerado o edifício medieval melhor conservado da Europa. No verão, concertos de música clássica são realizados no pátio, enquanto Palma descansa morro abaixo, desenhando uma das mais impetuosas vistas da costa espanhola.

* Viajou a convite do Centro Oficial de Turismo Espanhol e da Spanair

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Jornal do Commercio
Recife - 22.07.99
Quinta-feira