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Gilvandro Filho

Pernambuco ignora a Fenasoft

Comemorações de promotores à parte, a Fenasoft deste ano foi ... meio enfadonha. Poucas novidades, poucas empresas de porte, poucos lançamentos. Está certo que o público cresceu 15% em relação ao ano passado. Mas, isto não é propriamente um atestado de sucesso. Aconteceu o que era esperado: a Internet roubando a cena. Outro ponto positivo: para quem foi fechar negócios, a feira foi generosa, apesar da crise. Algumas empresas saíram do Anhembi com um sorriso de orelha a orelha. Assim como alguns estados que não se inibem em mostrar o que produzem. Afinal, ainda é um evento importante e que influencia o mercado.

Aí é que começa, na verdade, o enredo desta coluna. A exemplo do que já vinha acontecendo, a Bahia fez puro e legítimo marketing, com baianas, axé music, acarajés, fitinhas do Senhor do Bonfim e nada de tecnologia. O Ceará armou uma "tenda" bem posicionada e colheu frutos: seus softwares educacionais e de gestão de recursos humanos fizeram sucesso. Sem falar no Estado de Santa Catarina que, além dos seus 600 metros quadrados de estande, levou o seu provedor Matrix e o próprio governador para vender o seu peixe.

E cadê Pernambuco? Parece que a gente não liga muito para esse tipo de evento, o que é uma pena. Tem potencial de tecnologia de informações maior do que todos esses estados, mas esnoba o marketing. Fabrica e exporta software, é pioneiro em hardware, dispara na Internet, tem provedor no ranking dos maiores, possui escolas que são centros de referência. E tem gente competente e lúcida à frente da política de informática. Mas ignora os bons espaços e não os ocupa. Acha que as boas oportunidades caem do céu. Ou do ciberespaço.

Há muito que Pernambuco não aparece como deveria em eventos como a Fenasoft e o Comdex. Este ano, sumiu por completo. Como se nada tivesse para mostrar. Como se não precisasse atrair investidores ou captar novos negócios. Como se o Ceará, Santa Catarina ou a Bahia estivessem apenas torrando dinheiro e perdendo tempo, o que definitivamente não é verdade. Esses estados faturam e sabem porque. É nesses encontros que as coisas acontecem. Se são ou, eventualmente, não são sucesso, aí já é outra história.

gil@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 28.07.99
Quarta-feira