LG_jc.gif (3670 bytes)

AUTOPEÇAS
Oficinas investem em serviços para sobreviver no mercado

Nos tempos em que o Fusca, Opala e Brasília eram a "coqueluche", até hoje, muita coisa mudou no comércio de autopeças. A renovação da frota de veículos em circulação aumentou a vida útil dos componentes que antes garantiam a rotatividade nas vendas. Os lojistas também perderam clientes como frotistas e grandes oficinas, que passaram a comprar peças diretamente do atacadista. "Isso fez com que muita gente saísse do ramo", disse o presidente do Sindicato do Comércio de Autopeças do Estado de Pernambuco, Valdemar Galindo. De acordo com o sindicato existiam, em 98, 3.642 varejistas de autopeças no Estado. Cerca de 30% já fecharam às portas.

Na avaliação dos comerciantes, o que está acontecendo no setor não é uma crise, mas uma mudança de perfil. "O mercado paralelo ficou desatualizado porque trabalhava para carros com mais de 20 anos. Com a diversidade de modelos atuais foi preciso se especializar para atender a clientela", destaca Cícero Anastácio de Oliveira Neto, proprietário da Cícero Autopeças, na Avenida Norte.

Uma das alternativas foi agregar prestação de serviços à venda de peças. Coisa que o segmento de reparação - como oficinas especializadas em injeção eletrônica e redes de serviços automotivos - já vem fazendo. Em vez de se limitar a tirar o pedido do cliente, as lojas oferecem também a instalação gratuita de alguns itens, com a garantia de serviço e peça, descontos, parcelamentos, entregas a domicílio e até carona para o trabalho.

Cícero, comerciante do ramo há 17 anos, investiu R$ 25 mil na nova infraestrutura de sua loja. Comprou equipamentos e ferramentas, contratou mecânicos, reciclou funcionários e mantém equilibrado o estoque. "Prestação de serviços é exigência do cliente", assinala. Se tivesse que abrir o negócio hoje, Cícero precisaria de um investimento mínimo de R$ 200 mil.

Além de montar uma oficina de serviços rápidos, Vicente Lopes da Silva, dono da Vicente Autopeças, criou um departamento de acessórios, diversificando a oferta de produtos. "O cliente ganha em comodidade, fazendo tudo num lugar só", afirma. O comerciante diz que não se pode esquecer que ainda há muitos carros velhos em circulação. "É preciso ter peças para atendê-los. Carros com sistema de carburação correspondem a 70% da frota".

O fato de as lojas de autopeças passarem a executar os serviços no carro trouxe um lado ruim para os mecânicos autônomos. "Com essa concorrência diminuiu o número de clientes", conta o mecânico Manoel Severino. As pessoas preferem comprar a peça e instalá-la no mesmo lugar, sem pagar mão-de-obra. "As casas de autopeças ainda dão desconto e parcelam o serviço", diz Manoel, que fechou o seu negócio em Peixinhos por não agüentar a concorrência com a Vicente Autopeças, reabrindo na Avenida Costa Azevedo, no mesmo bairro, onde trabalha num espaço alugado.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 25.07.99
Domingo