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CINEMA
Melodrama russo é o cartaz de hoje na Sessão de Arte do São Luiz

por KLEBER MENDONÇA FILHO

Indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, chegou ao Recife em apenas duas sessões, via Sessão de Arte, (a última é hoje, no São Luiz) O Ladrão (Vor, Rússia, 1997), de Pavel Chukhraj, que concorreu com O Que é Isso, Companheiro? e Caráter (que levou a estatueta). Trata-se de um produto comercial russo, realizado para o grande público com a intenção de emocionar e comover. O Ladrão poderia ser descrito como um melodrama, um gênero que freqüentemente utiliza a relação de uma criança com um adulto (O Garoto, O Campeão, Central do Brasil...) para provocar lágrimas.

Em O Ladrão, analisa-se com cores fortes a carência de Sanya (Mikhail Filipchuk), uma criança de seis anos, por um modelo paterno correto, cavalheiro com sua mãe solitária e confiável como homem, qualidades que não podem ser atribuídas a Tolyan (Vladimir Mashkov), o único modelo paterno disponível para esta criança.

Tolyan é, inicialmente, o homem perfeito. Oficial do exército, cheio de energia e ciente dos olhares carentes de Sanya. Seduz Katya (a bela Yekaterina Rednikova), mãe de Sanya, e forma um trio que irá se despedaçar com a descoberta de que Tolyan é um ladrão farsante, malandro total que demonstra enorme descaso pelos seus companheiros de viagem, frio e fome numa Rússia dos anos 50.

Há uma primeira parte eficiente que nos apresenta os personagens interagindo com um país sombrio, pobre e gelado em trens, nas ruas patrulhadas e nos interiores de casas e pensões que parecem cheirar a mofo. O filme (tecnicamente excelente) aborda o fascínio russo (soviético) pelo uniforme militar ao mostrar o uniforme como uma das principais armas de Tolyan nos seus golpes.

Na segunda parte, no entanto, a mão de Chukhraj fica cada vez mais pesada, transformando o filme em algo como neve derretida. A história avança anos, a morte ronda os personagens e o desfecho soa como o mais horrendo tipo de melodrama: aquele que o espectador simplesmente assiste sem exatamente sentir nada pela artificialidade do conteúdo.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.11.99
Segunda-feira