A QUATRO MÃOS II
Na dura realidade, toda
uma vida dedicada ao sonho sempre forteJosé Amaro Filho foi preso em 70, aos 19 anos,
sob a acusação de homicídio. Condenado, ficou pouco
tempo na Casa de Detenção do Recife, sendo transferido
no mesmo ano para a Penitenciária Agrícola de
Itamaracá. Na PAI, foi levado com mais 39 presos ao
Forte Orange, para capinar e limpar a construção, que
seria recuperada pelo Exército entre os anos de 71 e 73.
José Amaro começava a ficar mais familiarizado com a
natureza, e conta haver ficado apaixonado pelo local, que
na época não possuía nem estrada de acesso.
Após três anos na PAI, o detento
cometeu uma falta que o levou à Penitenciária Professor
Barreto Campelo, na mesma Ilha. Mesmo em regime fechado,
permaneceu com o forte em mente. Aprendeu artesanato e se
destacou entre os presos, produzindo entalhes e
esculturas. Conquistou inclusive permissão para
participar de exposições no Rio de Janeiro, em 78, e em
Cascavel (Paraná), no ano seguinte. Ambas as
oportunidades, sem escolta policial.
Em 80, José Amaro ganhou a tão
sonhada liberdade, e tomou o caminho do Forte. A
construção, entregue à prefeitura da Ilha, após a
recuperação, continuava abandonada. O ex-detento
assumiu para si a responsabilidade sobre a conservação
do local, e passou a morar no Forte Orange. "Eu
virei um fantasma lá dentro", compara. Ainda
trabalhando como artesão, fundou uma lojinha de
artesanato e, em 91, criou a Fundação Forte Orange, por
meio da qual administrou o local até o ano passado,
quando a costrução foi assumida pela Fade/UFPE. José
Amaro permanece com a lojinha de artesanato e se diz
`eterno guardião' do Forte Orange. (M.T.)
Serviço
Contato com a produção de Orange
de Itamaracá: 227.9100 (Osmar, produtor executivo) ou
9979.1368 (Franklin Junior) Contato com José Amaro
(Forte Orange): 544.1666
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