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PROJETO ZERO
Técnica criativa vence a desertificação

por CIARA CARVALHO

As discussões travadas durante a 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), que se encerrou na última sexta-feira, no Centro de Convenções, tinham como objetivo final um só propósito: viabilizar a implantação de ações de combate à desertificação nas áreas atingidas pelo problema em todo o mundo. Durante 12 dias, delegados de mais de 160 países reuniram-se em torno das iniciativas que conseguiram reverter o processo de degradação do solo provocado pela desertificação. Experiências bem-sucedidas, como a da Fazenda Caroá, desenvolvida no município de Afogados da Ingazeira, no Sertão pernambucano. Com criatividade e usando materiais baratos, a propriedade é um exemplo de como técnicas tradicionais de agricultura podem ser utilizadas para recuperar áreas desertificadas nas regiões de Semi-Árido.

Apesar de não possuir nenhum rio perene e ser cortada por uma cadeia de colinas, a propriedade possui um sistema de distribuição de água que permite a criação de mais de 100 cabeças de gado e o cultivo de feijão e milho. O segredo para reverter o processo de desertificação que atingia parte da fazenda é engenhoso. Usando a força da gravidade, o engenheiro José Arthur Padilha, proprietário das terras, instalou uma rede de distribuição de água que consegue abastecer a maior parte da propriedade. Um sistema de canaletas foi montado interligando a fonte de água subterrânea aos reservatórios intermediários, conhecidos como castelos. De lá, a água é puxada para abastecer os bebedouros.

José Padilha explica que o projeto evita o desperdício de água. "Instalamos válvulas e bóias em todos os reservatórios para garantir que só haja liberação de água quando o nível nos depósitos estiver bem reduzido, tanto nos castelos quanto nos bebedouros", observa. Depois de ‘apanhar’ durante anos com o sistema tradicional de barragens, o fazendeiro desenvolveu um tipo de barramento em forma de arco romano que se mostrou muito mais eficiente para represar a água. ôNo lugar do concreto, usamos pedras da própria fazenda", ensina.

O Projeto Base Zero terminou se transformando num cartão de visitas para o Governo do Estado mostrar que, em Pernambuco, há bons projetos de combate à desertificação. Aproveitando a presença das agências de financiamento na COP-3, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente levou um grupo de estrangeiros para conhecer a Fazenda Caroá. ôÉ uma técnica muito eficiente. Encontramos experiências na África que usam uma metodologia semelhante e lá os resultados têm sido muito satisfatórios", elogiou o representante do Ministério da Cooperação Alemã, Günter Wincker.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.11.99
Domingo