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PROJETO ZERO II
Baixo custo do projeto é um grande atrativo

Técnicas engenhosas conseguiram evitar degradação do solo na fazenda, onde nem capim crescia A experiência da Fazenda Caroá chama atenção não só pelos resultados obtidos na recuperação dos solos desertificados. O agrônomo José Arthur Padilha garante que o baixo custo do projeto também é um atrativo interessante. Ele faz as contas e afirma que numa área de dois mil hectares é possível beneficiar 50 famílias, fazendo um investimento de R$ 10 mil por família/ano. "Procuramos usar o material mais barato possível para que qualquer pequeno agricultor possa reproduzir a experiência em sua propriedade", explica o fazendeiro.

Padilha cita como exemplo de ‘economia’ os bebedouros que armazenam água para o gado. No lugar de cimento, os tanques são feitos usando pedra e areia. "Cada bebedouro sai, em média, por R$ 15,00. Com esse preço, qualquer trabalhador rural pode construir várias unidades em suas terras", exemplifica. Ele afirma que os resultados não demoram muito para aparecer. ôDependendo do nível de degradação da terra, em um ano o solo já começa a dar sinais de recuperação. E a produtividade vai aumentando com o tempo", observa.

Há cerca de 30 anos, quando começou o Projeto Base Zero, as terras do fazendeiro vinham sofrendo um processo gradativo de desertificação. "Perdemos muitas plantios e nem o capim crescia mais no pasto", recorda o gerente da fazenda, Ivanildo Ângelo de Siqueira. Embora nem todas as áreas tenham sido recuperadas, o progresso é notável. "Já tivemos várias colheitas depois que a rede de distribuição de água foi implantada na fazenda", afirma Ivanildo.

O administrador destaca que, além do sistema de canos que levam água para praticamente toda a propriedade, o gado também recebeu um tratamento diferenciado. A ração é reforçada com sal e o esterco produzido pelos animais é aproveitado como adubo. ôColocamos sementes de plantas típicas da região nos chocalhos dos bois e das vacas. Dessa forma, os bichos ajudam a semear o solo, distribuindo as sementes que fecundam o chão", explica o gerente.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.11.99
Domingo