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ONU reúne 193 países em Olinda Os olhos e as atenções dos países afetados pela desertificação em todo o mundo estarão voltados, a partir de amanhã, para o Centro de Convenções, em Olinda, onde tem início a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Seca (COP-3). Durante os próximos 12 dias, o espaço será transformado em território oficial da ONU, que terá soberania total para comandar o evento. Mais do que uma reunião técnica internacional - de longe, a mais importante já realizada em Pernambuco -, a conferência aguça o interesse da maioria dos 193 países participantes por um motivo bem específico: é o local ideal para a captação do dinheiro, ou parte dele, necessário para financiar as ações de combate ao problema em cada país. Não é à toa que, na lista dos assuntos mais importantes do encontro, o mecanismo global - fundo de financiamento mundial para o controle da desertificação - aparece como prioridade absoluta. É nele que o Brasil, assim como os demais países pobres afetados pelo fenômeno, poderá encontrar os recursos que até hoje nunca foram aplicados para impedir o avanço da desertificação no país. Uma briga naturalmente difícil. Por enquanto, só a África viu a cor desse dinheiro. "Os países da América Latina e Caribe precisam se juntar para pressionar a liberação desses financiamentos para a nossa região", explica o coordenador-adjunto do Plano Nacional de Combate à Desertificação (PNCD), João Arthur Soccal. Para apimentar as discussões em torno do assunto, o próprio funcionamento do mecanismo global será colocado em xeque na conferência. "O fundo foi criado há três anos e até hoje poucas ações foram realizadas com os recursos. O processo de execução está muito lento e precisa ser revisto urgentemente", dispara Soccal. Como já era de se esperar para um evento desse porte, apenas as cerca de três mil pessoas credenciadas pela ONU para participar da conferência poderão circular pelo Centro de Convenções. Enquanto os ministros de Estado e chefes de delegações discutem os aspectos políticos da desertificação, especialistas no assunto no mundo inteiro tratam da parte técnica do fenômeno. Mas a correria maior será mesmo nos corredores e bastidores da conferência, onde representantes de organizações não-governamentais, assessores, políticos e observadores estarão negociando a aprovação dos projetos considerados importantes para seus países. Distante desse burburinho, os mortais que se interessam pelo assunto poderão conferir a Expodesert - uma exposição do que vem sendo feito no Brasil e no mundo em relação à desertificação e o único lugar da conferência aberto ao público. |
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