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Mais que uma bebida, um saboroso ritual por LEONARDO SPINELLI O chá, bebida tão apreciada pelos orientais e popularizada no ocidente pelos ingleses, definitivamente passa longe da preferência dos brasileiros. No entanto, vez por outra, surgem algumas opções para quem quer colocar esta tradição em sua vida. No Recife, há locais onde o chá é o carro-chefe. São poucas, mas existem. A cidade tem apenas duas casas de chá, mas o território parece que vem sendo lentamente ocupado pela folha à qual muitos atribuem qualidades mais saudáveis que as fornecidas pela infusão que, essa sim, é preferência nacional - o café. Embora o break dos tupiniquins ainda seja antecedido pelo sufixo coffee, o número reduzido de casas de chá recifenses encantam pela hospitalidade dos proprietários, pelo aconchego e pelo sabor. Não só das bebidas, como dos acompanhamentos, feitos de forma caseira e com receitas `secretíssimas'. A simbiose perfeita na relação entre o cliente e o dono transforma estas casas pequenas em confrarias, onde o ambiente descontraído inspira conversas demoradas e bem-humoradas. Este universo é ainda restrito às senhoras. No entanto, ao que tudo indica, isto acontece por falta de informação de outros grupos. Um chá da tarde é uma experiência muito saborosa, e por que não dizer, revigorante. "O chá é para se apreciar vagarosamente jogando conversa fora", explica Marieza Scalzo, gerente da loja Marieza Põe Mesa. "Não tínhamos o hábito de tomar chá. Mas atualmente a gente toma pelo menos uma vez por semana. Numa casa como esta encontramos amor. É um local para se relaxar", atesta uma das clientes da Casa de Chá Chacon 78, a advogada Judith Pinheiro Lins, ao lado da mãe, dona de casa Helena Pinheiro Lins, que dá nome a um dos itens do cardápio da loja, que matém a tradição de homenagear os melhores clientes. Como em toda regra há exceção, também há quem discorde quanto à temperatura em que a bebida deve ser servida. O jovem casal formado pelo funcionário público Ricardo Costa e a bióloga Anapaula Silvestre se encontram no lado das excessões. Além de jovens apreciadores da bebida, preferem ela fria, ou melhor gelada. "O verão pede um chá gelado", diz a bióloga, completando: "Os jovens não freqüentam estes lugares até mesmo por uma questão cultural. Todos se acostumaram a sair apenas à noite para curtir um programa agitado. Lanchar numa casa de chá é uma experiência muito agradável." |
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