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Só europeus estréiam na tela

por LUIZ JOAQUIM

Em março desse ano, havia uma polarização nas apostas entre quem ia levar o Oscar de filme estrangeiro: Central do Brasil ou A Vida É Bela. Paralelo a esse oba-oba, o cineasta espanhol Carlos Saura (diretor de Carmem) concorria discretamente com o seu Tango, que estréia hoje nos multiplex. Quando esteve em Cannes, a produção levou o Prêmio Técnico Especial do Juri. Classificado como deslumbrante, pela fotografia de Vittorio Storato, o filme é embalado por Piazzolla sob a direção musical de Lalo Schifrin. Saura apresenta um homem que foi abandonado pela esposa e resolve se concentrar na montagem de seu espetáculo musical. Ao conhecer uma dançarina em ascensão, fica apaixonado e, a partir daí, Saura começa a brincar com o real e o imaginário.

A Sessão de Arte do São Luiz também traz um filme que concorreu ao Oscar de melhor estrangeiro (em 1998). A produção russa O Ladrão apresenta o destino de uma mãe e uma filha pequena logo após os estragos da Segunda Grande Guerra. Entre outras mazelas, elas enfrentam um ladrão que as engana fingindo ser um herói de guerra. Da Rússia para a França: o Cinema da Fundação mostra outro filme que chega com pedigree de premiado em Cannes. A Vida Sonhada dos Anjos deu à dupla protagonista, Elodie Bouchez e Natacha Reigner, o título de melhor interpretação feminina. O filme mostra os descaminhos da juventude francesa nos anos 90 através da amizade de duas andarilhas solitárias de 20 anos.

Estréia também no multiplex, A Carta Anônima. O longa de Peter Ho-Sun Chan (?) segue o itinerário do documento que dá título ao filme. O cenário é uma cidade interiorana, daquelas onde todos se conhecem. O problema é que o conteúdo da carta é uma picante declaração que aguça a curiosidade da população sobre a identidade de seu remetente. Talvez o nome mais conhecido do elenco seja Tom Seleck (aquele do seriado Magnum, lembra?). O Parque está trazendo a 7ª edição do Festival da Diversidade Sexual, Mix Brasil para os íntimos. São vários curtas divididos em doze temáticas homossexual. O Lula Cardoso Ayres mostra Tarzan, O Homem Macaco, rodado em 1918 por Scott Sidney, e Rua da Paz, curta de Chaplin do qual é creditado o primeiro travelling na história do cinema.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.11.99
Sexta-feira