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DROGAS III
Campanhas proíbem em vez de informar

Em meio às repressões das substâncias ilícitas, campanhas de combate às drogas são consideradas ineficazes entre publicitários, profissionais da saúde e usuários. Em geral, elas se atêm a conteúdos moralizantes e preconceituosos, dando pouca atenção ao campo preventivo através da educação para a saúde. Em contrapartida, as drogas lícitas, em particular o álcool e o tabaco, favorecidas pelo poder da propaganda na mídia, carregam o mito da vida saúdavel e da juventude dourada.

Entre o velho slogan `drogas faz mal, afaste-se delas' e a grande massa de propaganda de cervejas geladíssimas, ambientada em praias ou bares entulhados de gente jovem e bronzeada, ou de cigarros com fumantes, cheios de `vida', subindo montanhas, qual dessas campanhas consegue surtir mais efeito?

"A proibição em si nada tem de prevenção. Ninguém gosta de receber ordens ou negativas. O que todo mundo quer é prazer, poder e sucesso, coisas que, em alguns momentos, as drogas oferecem e estão presentes em forma de ilusão nos comerciais de tv", opina Camila Ferreira (nome fictício), 39 anos, viciada em bebidas alcoólicas, que está em tratamento.

INGENUIDADE - Algumas vezes, a linguagem utilizada nas campanhas anti-drogas, que são realizadas de forma gratuita e voluntária pelas agências e instituições publicitárias, não atinge nem o público de usuários, nem dos não-usuários. "Essas campanhas são tão carregadas de preconceito e tentativas de amendrontamento que, ao invés de afastar o dependente ou um possível dependente das drogas, faz com que ele se aproxime cada vez mais delas", enfatiza o diretor de Criação da agência de propaganda Propeg/PE, Fernando Lima.

O publicitário cita como exemplo um vídeo em que era apresentado no primeiro bloco uma pessoa cheirando cocaína e em outro ela se transformando na figura de um burro. "Os usuários devem rir desse tipo de campanha porque é incoerente com a realidade deles, além de moralistas e ingênuas".

Profissionais da área acreditam ser de grande importância buscar a eficácia das campanhas, mas admitem que, sozinhas, elas não podem fazer muito. "As campanhas são apenas paliativo. Elas podem contribuir com outras ações de instituições governamentais ou educacionais, mas não é um minuto de informação que vai conseguir convencer alguém a largar o vício, da mesma forma que não são cinco segundos de quadrinho azul `O Ministério da Saúde adverte..' em propagandas de cigarros que vão fazer a diferença", explica Cléber de Brito, redator do departamento de criação da Ampla Comunicação.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.11.99
Domingo