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APOIO Grupos auxiliam na recuperação A funcionária pública Joana Lins, 49 anos, chegou cedo ao encontro, como fazia todos os dias, mas esta semana, ela estava mais sorridente do que de costume. Ao iniciar a reunião, Joana foi a primeira a falar ao grande grupo: "Meu nome é Joana, sou álcoolatra e estou há 25 anos sem beber". O motivo era de festa e dava para perceber nas outras pessoas da sala a emoção do momento, respeito e admiração pela conquista. Muitos já tinham conseguido o mesmo feito e outros lutavam todos os dias para atingí-lo, nem que fosse apenas mais um dia sem beber. Os grupos de mútua-ajuda, como os Alcoólicos Anônimos (A.A.) e Narcóticos Anônimos (N.A.), encontram-se cada vez mais espalhados pelo mundo. Seguindo o lema `um dia de cada vez', eles vêm desempenhando nas comunidades um papel de extrema importância no acompanhamento de dependentes e familiares que buscam uma saída para o problema do vício, sem que isso venha acarretar maiores custos. As irmandades, como também são chamadas, sobrevivem de contribuições espontâneas feitas pelos próprios membros, sem aceitar nenhuma ajuda externa. A irmandade dos Alcoólicos Anônimos funciona através de mais de 97 mil grupos locais em mais de 150 países. Só na Região Metropolitana do Recife, são quase trezentos. Apesar de existirem há mais de 47 anos, os Narcóticos Anônimos só chegaram em Pernambuco há um ano e meio, possuindo, por enquanto, um único grupo local. "O único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de usar drogas. Não queremos saber nada do que a pessoa fez do passado, mas o que ela quer fazer para vencer o seu problema", explica Rafael Vilar, um adicto (dependente de drogas) em recuperação assim como os outros membros do grupo de N.A.. O anonimato é, inclusive, um ponto chave desses grupos. Todos os personagens desta matéria tiveram seus nomes alterados para nomes fictícios. Os integrantes de A.A e N.A. preservam a identidade e, como norma, fica proibido a sua revelação, fazendo ligação à irmandade, principalmente, em depoimentos para imprensa, filmes e outros meios de comunicação. PROGRAMA - "Mantendo as características de grupos leigos e voluntários, eles realizam reuniões regulares, onde os membros relatam suas experiências de sofrimento e recuperação, ajudando-se mutuamente para conseguir a abstinência total, já que os membros admitem a impossibilidade do consumo e reconhecem que o programa que utilizam - baseado nos princípios dos `doze passos' e das `doze tradições', - nem sempre é eficaz, necessitando para algumas pessoas o acompanhamento e tratamento profissional. Nesse casos, os grupos indicam hospitais, mas trabalham independentes. "Os `doze passos' funcionam como algumas regras que devem ser colocadas em prática, por etapas e individualmente. Mais do que simples auto-ajuda, eles partem de itens que estimulam a conscientização do problema da dependência, da honestidade, avaliação dos erros cometidos e da tentativa de consertá-los, se possível. O 12º reflete o objetivo principal do grupo: levar a mensagem e divulgar os `doze passos' para quem precisa e quer ajuda. Como o trabalho é em grupo, as `doze tradições' são regras que aprimoram a convivência dos membros, em busca permanente da democracia de pensamentos e liberdade coletiva. (J.M.) |
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