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PARTIDOS Arraes derrota Erundina e é reeleito presidente do PSB BRASÍLIA - O ex-governador Miguel Arraes conseguiu ampla maioria dos delegados do 7º Congresso Nacional do PSB, concluído ontem, em Brasília, e foi reeleito pela terceira vez consecutiva à presidência nacional do partido. Mesmo assim, Arraes saiu do encontro tendo que amargar uma clara oposição ao seu nome por uma facção importante do partido: pela primeira vez, um congresso dos socialistas teve uma chapa de oposição, liderada, entre outros, pelo governador João Capiberibe (AP), a deputada federal Luiza Erundina (SP) e o senador Ademir Andrade ((PA). Arraes foi eleito com 701 votos (73,33%) contra 255 (26,67%) dados ao governador João Capiberibe. A votação ocorreu à noite, depois de dois dias seguidos de debates, às vezes muito tensos. "O partido saiu fortalecido porque está consolidando suas posições políticas. E essas posições só serão consolidadas com o debate", disse Arraes em entrevista, depois da contagem dos votos. Sobre as divergências, o ex-governador afirmou que são "naturais" e que estão ocorrendo em toda a esquerda. O clima de disputa marcou o 7º Congresso Nacional do PSB. De um lado, os partidários da recondução de Arraes à presidência do partido. Do outro, a corrente que se denomina Movimento Coletivo Socialista, liderada pela deputada Luiza Erundina e o governador João Capiberibe, criticando os métodos "centralizadores" da direção partidária e defendendo a candidatura de Capiberibe como alternativa de fortalecimento da democracia interna do PSB. Esta primeira disputa eleitoral no partido - até então, os diretórios tinham sido eleitos por chapa única - marca uma fase mais explicita de contestação da liderança de Arraes no seu próprio partido. O último dia do congresso, ontem, foi de muita disputa. Enquanto o plenário debatia as teses do partido, os militantes das chapas concorrentes caiam em campo para conquistar votos. Os delegados mineiros surpreenderam, ainda pela manhã, ao manifestarem contrariedade com a disputa e anunciaram que não participariam de nenhuma das chapas. Com isto, o prefeito Célio de Castro, que figurava nas duas chapas, pediu para retirarem o seu nome. Os mineiros, que defendiam chapa única e consensual, também decidiram não votar para o diretório. Em entrevista, João Capiberibe anunciou o propósito da sua chapa: "Queremos fortalecer a democracia interna e estimular a autonomia das instâncias estaduais e municipais". Ele mostrava-se confiante em uma boa votação, já que "percebia um forte sentimento de mudança dentro do partido". De qualquer maneira, informou que, no caso de derrota, todos permaneceriam no partido. Questionado se a disputa não seria prejudicial ao partido, Capiberibe disse que não. E argumentou: "Achamos que, se há tendências diferentes no partido, é importante sair do Congresso com elas delimitadas". O diretório nacional do PSB é formado por 81 membros, 61 titulares e 20 suplentes. O mandato dos eleitos é de dois anos. Como a eleição do diretório é proporcional, a chapa de Arraes terá mais mais de 70% das vagas e, se quiser, faz a executiva completa. |
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