NAS ONDAS DO RÁDIO
Um programa de corno, com toda
certezapor MARCOS TOLEDO
Sem dúvida, não deve ser tão fácil
ser corno. É preciso ficar ligado em várias coisas ao
mesmo tempo, o que se torna no mínimo estressante. Para
extravasar, além das atitudes que podem causar
dependência - álcool, fumo, choro -, o homem traído
recifense pode se ligar num programa especialmente
dedicado a ele: A Hora do Papudinho, apresentado de
segunda a sábado por Márcio Antônio, na JC FM (90.3
MHz).
É o verdadeiro "A Voz dos
Cornos". O programa começou explorando o ritmo
brega, uma vez por semana. Depois, todas as tardes. Hoje,
ocupa dois horários ao vivo, de segunda a sexta - das 5h
às 7h da manhã (que horário de corno, não?) e das 17h
às 19h. Somente no sábado é que é gravado.
Por sugestão de um amigo, o
apresentador Márcio Antônio mudou a voz e criou um
personagem, o "véio" Papudinho. As
brincadeiras com o tema da cornice, contudo, surgiu
"devido às músicas, que só falam de 'gaia'",
afirma o locutor. Foi o que instigou o operador Carlos
Santos a incluir as vinhetas escrachadas de berrante,
gargalhada, serra e bomba, que são ouvidas durante a
participação ao vivo dos ouvintes, por telefone.
São pessoas que ligam para
"denunciar" os cornos que conhecem. Pedem para
serrar ou soltar uma bomba nos chifres do vizinho ou de
um colega do trabalho. No estúdio, pode-se notar
realmente que os telefonemas não páram. Motivo de
orgulho: "Nunca deu confusão", revela Márcio.
"Muito pelo contrário".
O apresentador lembra de um caso que,
como poucos, fugiu à regra. Em vez das presepadas
costumeiras, um ouvinte ligou para lamentar o fato da
esposa haver fugido com o palhaço de um circo mambembe,
armado no bairro de Maranguape (Paulista). O
"véio" levou na brincadeira, até o dia em que
a irmã do marido traído ligou dizendo que ele havia
tentado suicídio tomando veneno para rato.
Sensibilizado, o locutor foi até a
casa do "abandonado" e constatou o fato. Foi
feita toda uma campanha para a mulher voltar, com a
direito declaração de amor e choro durante o programa.
Principalmente quando o "ex" descobriu que o
filho que a mulher esperava era dele. Mesmo o palhaço
saindo de cena, não teve jeito. Ela não voltou e acabou
perdendo a criança numa queda, enquanto lavava roupa.
Não foi um caso comum, mas bastante significativo na
história do programa.
HITS - Dentre os sucessos
musicais, os mais pedidos saem dos CDs de Paulo Márcio,
Labaredas, Assis Cavalcanti, Eliel Barbosa, Marlene
Andrade, Wanderley Andrade (de Belém do Pará) e Léo
Bonny. Muitos nomes novos, bem diferente de quando
Márcio Antônio começou com o programa, época em que
só tocavam medalhões do gênero, como Núbia Laffayete
e Fernando Lélis. "O brega deu uma
modernizada", analisa o apresentador. Observamos que
Márcio não cita Reginaldo Rossi. "Foi um
lapso", desculpa-se. "Ele é o maior de todos,
a causa de tudo isso".
A mesma brincadeira Márcio Antônio
leva para os clubes de bairro, onde anima noites como a
de hoje. A partir da 0h ele se divide entre o Banhistas
do Pina, o Madeira do Rosarinho e o Mangabeira Futebol
Clube. No som, shows ao vivo de figuras como Eliel
Barbosa, Fernando Luiz, Sérgio Aurélio, Folha - O
Temporal do Brega, Maury Pontes e banda Circuito do
Brega. Atualmente o radialista ocupa o 2º lugar na
audiência e já prepara um CD para se lançar também
como cantor de brega. "Já recebi vários discos
aqui e pensei: se eles podem, por que eu não?",
justifica. E, dando uma corneada na modéstia afirma:
"Meu concorrente aposta no forró. Hoje sou o único
referencial do brega em rádio".
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