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HISTÓRICO VIII Grandes coberturas, a marca registrada As grandes coberturas e os cadernos especiais sempre foram a marca do do Jornal do Commercio nesses 80 anos. Alguns inflamaram a imaginação dos leitores com relatos de aventuras heróicas, outras foram grandes "furos" jornalísticos. Ainda houve as que ficaram na memória pela relevância ou urgência dos temas abordados. Foram oito décadas de jornalismo independente e investigativo. Já no seu terceiro, o JC ousava ao imprimir em vermelho e verde, cores de Portugal, sua primeira página, comemorando a travessia atlântica dos aviadores lusitanos Sacadura Cabral e Gago Coutinho (1). "Ave Lusitania Mater!", saudava a manchete de 6 de outubro de 1922. Cabral e Coutinho voaram de Lisboa ao Rio de Janeiro para comemorar o centenário da Independência do Brasil. Chegaram a Recife, primeira cidade brasileira do percurso, no biplano monomotor "Santa Cruz", seu terceiro hidroplano: dois pousos mal-sucedidos perto de Fernando de Noronha inutilizaram o "Lisboa" e o "Portugal", que tiveram de ser substituídos por novos aparelhos, vindos da Europa de navio. Também veio do mar outra grande cobertura do jornal, entre janeiro e fevereiro de 1961, quando o transatlântico português "Santa Maria" foi tomado por um grupo de 28 revoltosos em luta contra o ditador Antônio Salazar. Depois de despistar aviões e navios das marinhas americana, inglesa e holandesa, desde a costa da Venezuela, o "Santa Maria" veio para águas internacionais perto da costa pernambucana. Os revoltosos só entregaram navio e reféns depois de asilados pelo então recém-empossado presidente Jânio Quadros. O caso ficou famoso não só pela presença de vários repórteres internacionais no Recife, como também pela inusitada participação de um redator de notas sobre o porto e arquivista do JC, Eunício Campelo. Ele aderiu à revolução, passando a ser conhecido como Capitão Eunício. Vários furos jornalísticos marcaram a trajetória do Jornal do Commercio. Durante a Segunda Guerra Mundial, o jornal dispunha de um radiotelegrafista brasileiro de ascendência alemã, que sintonizou transmissões germânicas e permitiu ao jornal várias edições extras em primeira mão (2): a invasão da Polônia e a entrada da França e da Inglaterra na guerra, em setembro de 1939, e a invasão da Rússia, em junho de 1941. O anúncio da morte do guerrilheiro "Che" Guevara, em 1967, levou grandes nomes do jornalismo brasileiro a elogiar a beleza e qualidade da edição do jornal (3). "Ela honra a imprensa não só do Nordeste, como de todo país", disse Alberto Dines, então editor-chefe do Jornal do Brasil. No mesmo ano, o JC noticiou em primeira mão nacional, a 27 de janeiro, a morte de três astronautas na explosão da Apollo 6. EXCLUSIVIDADE - Três anos depois, mesmo quando a tromba d'água de 10 de agosto de 1970 ilhou a maior parte da população, incluindo quase toda redação do JC, o jornal manteve seu compromisso com os leitores. Três repórteres - Aldo Paes Barreto, Fernando Menezes e Marcos Túlio -, fizeram sair o jornal, apesar da queda de linhas telefônicas, das constantes interrupções do fornecimento elétrico e das torrentes que tomavam as ruas. O então governador Nilo Coelho passou a noite informando o JC dos acontecimentos no interior, que obtinha via rádio da Polícia Militar. No dia seguinte, uma terça-feira, o jornal saiu com apenas 16 páginas, oito a menos que o normal, mas circulou sozinho (4). Eventos de grande relevância para Pernambuco, o Brasil e o mundo também mereceram coberturas primorosas, que marcaram época: a renúncia do presidente Jânio Quadros e a posse de João Goulart, em 1961; o Golpe de 1964, com a prisão do governador Miguel Arraes e a morte de dois estudantes pernambucanos no primeiro protesto no Recife; o atentado a bomba no Aeroporto dos Guararapes, contra o futuro presidente Costa e Silva; o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, em 1963; a chegada da Apollo 11 à lua, em 1969. Mais tarde, o JC revisitou muitos destes eventos, mostrando que bom jornalismo tem que ter perspectiva histórica. Uma série de reportagens marcando os 29 anos do atentado no aeroporto, em julho de 1995 (5), levantou novos dados que inocentavam os acusados e indicavam que o crime fora praticado pela Ação Popular, uma organização esquerdista católica. A série ganhou um Prêmio Esso de Jornalismo, o mais prestigioso da imprensa brasileira, a exemplo do que acontecera com as edições de 30 anos do Golpe, em 1994, e de 10 anos da Anistia, em 1988. Encontrar caminhos para o crescimento de Pernambucano também foi tema de grandes matérias do Jornal do Commercio. A extensa série "SOS Pernambuco", de 1992, também vencedora do Esso, abordou problemas sociais e economicos do estado, culminando em um seminário para discussão com grandes lideranças. "Isso marcou como grande cobertura que nós fizemos, onde nós levantamos todos os problemas mais graves dentro de Pernambuco", lembra Ivanildo Sampaio, editor geral do JC. |
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