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URBANISMO II Uma cidade lotada de gente e de problemas Em 80 anos, a população do Recife cresceu quase seis vezes mais, saindo de 238 mil para 1,3 milhão de habitantes. A migração de pessoas residentes em outras cidades e o crescimento das famílias levaram à ocupação dos chamados grandes vazios urbanos. O resultado é que hoje praticamente não há espaço a ser ocupado. Nos últimos cinco anos só dois novos loteamentos foram aprovados, segundo a secretária municipal de Planejamento, Celecina Pontual. Sorte que o crescimento populacional está estagnado. Dos bairros com menor densidade demográfica, os únicos com condições de acomodar mais gente são Guabiraba e Pau Ferro, na Zona Norte. Guabiraba tem 1,28 habitante por hectare e Pau Ferro menos ainda: 0,34 habitante por hectare. Outros com densidade também pequena têm funções bem definidas: o Bairro do Recife, por exemplo, com 1,37 hab/ha, é uma área portuária e polo turístico. A Cidade Universitária tem população flutuante por ser área de ensino e pesquisa. Santo Antônio, no centro, é destinado ao comércio e serviços, e Dois Irmãos, área verde de preservação rigorosa. No Recife todo, em cada quilômetro quadrado, há 6.133 moradores. Segundo o Departamento de Informações e Projeções da Secretaria de Planejamento da Prefeitura do Recife, a população encontra-se desigualmente distribuída em seus 94 bairros, com maior concentração nas áreas sul e noroeste. Os bairros com maior densidade demográfica são Brasília Teimosa, com 331,75 habitantes por cada hectare, Alto José do Pinho, Mangueira, Morro da Conceição e Alto Santa Terezinha. A capital que no início do século tinha 17 mil prédios está entrando no terceiro milênio com 254.376 imóveis, dos quais 167.587 são residenciais (números da Secretaria Municipal de Finanças). Há 438 assentamentos populares, o mesmo que favelas. Enquanto palafitas e imóveis de concreto foram disputando os alagados, os casebres transformaram a paisagem dos morros. Este processo de ocupação se deu com intensidade nos finais dos anos 60 e início dos 70. Nesse mesmo período os que tinham renda alta começaram a se mudar dos tradicionais bairros dos Aflitos, Graças, Espinheiro e Casa Forte para a faixa de praia. A transferência foi intensificada até os anos 80. Boa Viagem tornou-se tão inchada que acelerou o crescimento em Jaboatão, nas praias vizinhas de Piedade e Candeias. Além de abrigar residências, tornou-se um pólo de comércio e serviços, principalmente os hoteleiros. Cheia de gente, Recife também ficou lotada de problemas. O meio ambiente foi degradado com falta de saneamento básico e aterro dos mangues. Segundo Celecina Pontual, 40% do manguezal da cidade está aterrado. Para ela, o maior desafio do presente é dotar a cidade de uma rede e tratamento de esgoto, ação que depende unicamente da iniciativa privada. A gente que trocou o campo pela cidade grande na tentativa de melhorar de vida nem sempre achou emprego fácil. Ser camelô foi opção para muitos. A preocupação com o crescimento demográfico da cidade já existia desde 1952, quando o padre Lebret alertava para o problema. Naquela época ele defendia um Plano de Uso do Solo. Em 1962, entrou em vigor o o Código de Urbanismo e Obras do Recife, lei sancionada em dezembro de 61 pelo então prefeito Miguel Arraes. |
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