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URBANISMO IV
Como a cidade se prepara para o futuro

Depois de se esticar pela periferia e se encher de gente, Recife agora tenta crescer por dentro. Pelo menos é assim que urbanistas se referem ao estágio atual da cidade. "Por dentro significa aproveitar melhor os espaços", tenta deixar mais claro a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, Virgínia Pontual. Numa linguagem mais simples ainda, esse crescimento é revitalizar espaços sem uso - ocupar edifícios abandonados, por exemplo -, aumentar a infra-estrutura com esgoto e estrada, tornar a paisagem mais agradável.

"A cidade tem um estoque construído que não está utilizado", afirma Virgínia. Celecina Pontual, secretária de Planejamento, pensa parecido. Na sua visão, as principais obras do presente, que vão ajudar a cidade a se preparar para o futuro, são a ampliação do metrô, que está chegando a Boa Viagem (basicamente atendida por ônibus), o Complexo Viário Joana Bezerra e a Linha Verde, a via expressa que margeará o manguezal do Pina e terá cobrança de pedágio nos primeiros anos da exploração pela iniciativa privada.

Celecina lembra que o Recife tem um plano diretor que ajuda na definição e organização do espaço. Observando as três grandes obras, percebe-se que a atenção é voltada para a Zona Sul. Para Celecina, o grande desafio do momento não é só humanizar a paisagem, mas dotá-la de algo fundamental: o sistema de coleta e tratamento de esgoto. Já existe projeto para recuperação de três grandes bacias hidrográficas que atendem o Recife, mas falta o interesse da iniciativa privada.

A expansão do metrô vai beneficiar não só a Zona Sul, mas também a Zona Oeste da cidade. Com o prolongamento da atual linha, que termina no Curado, em direção a Boa Viagem e Camaragibe, num total de quatro quilômetros, será gerada uma diminuição do volume de veículos que trafegam na Avenida Caxangá e Benfica, facilitando o trânsito com destino ao centro do Recife. A ampliação do metrô representa um investimento de mais de R$ 200 milhões, financiados pelo Banco Mundial e Governo Federal. Em todo o sistema deverão viajar 360 mil pessoas por dia, o que significa três vezes mais que o movimento atual. Pelos cálculos da CBTU serão 200 ônibus a menos, redução do tempo das viagens e menos poluentes.

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