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URBANISMO V População sofreu as cheias e agora vive racionamento Cidade com nome de pedra que sustenta onda do mar, Recife não conseguiu conter, nas últimas oito décadas, a forte presença ou a falta das águas. Quando não foram as cheias que afundavam os bairros nos anos 60 e 70, a cidade conheceu o horror das chuvas que subterraram e enterraram famílias inteiras nos morros da Zona Norte no inesquecível 30 de abril de 1996. Ironicamente, a mesma capital que sempre temeu o inverno e as marés de agosto, sofre agora com a estiagem. Vive o maior racionamento d'água de sua história. Por desequilíbrio da natureza ou descaso dos homens de poder, a mesma Barragem de Tapacurá que engoliu as enchentes não consegue matar a sede dos milhares de recifenses que dela dependem. Praticamente não choveu no último ano - o mais seco do século -, deixando os reservatórios com níveis a cada dia menores. E as obras que poderiam ter aumentado a capacidade de acumulação nos últimos anos, como o Sistema Pirapama e Várzea do Una, dos vizinhos Cabo e São Lourenço, não foram concluídas. O rio Capibaribe, que corta a cidade, não secou, mas faz tempo que não dá água para beber, exalando o mau cheiro dos esgotos que desembocam em sua correnteza. Na casa de Maria de Fátima de Souza, no bairro do Cordeiro, o telhado que no passado servia para guardar os móveis em dia de cheia, sustenta agora uma caixa d'água, para os dias de racionamento. "É a evolução dos tempos ou castigo", diz a dona de casa, que enfrentou cinco enchentes, a última em agosto de 1979. A pior de todas foi aquela que não aconteceu, a do estouro de Tapacurá. "Meu marido estava fora de casa, ouvi a história pelo rádio e quase enlouqueci". Não passou de boato. Antes do racionamento, a cidade já precisou de água. Mas para apagar os incêndios famosos. Entre eles, o da antiga Loja 4.400, na Rua da Imperatriz, em meados de 50, e depois o da Lobrás, em 1995, no mesmo prédio. Um pouco antes, ainda nestes anos 90, o fogo também engoliu uma parte do Mercado de São José. Quando não foi pelo fogo, nem pelas enchentes, o centro viveu outro tipo de rebuliço. Quem viveu 1942 lembra-se dos blecautes. Nos anos 50, quando a Casa de Detenção ainda não havia se transformado em Casa da Cultura, quase sempre aconteciam fugas, provocando corre-corre. |
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