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URBANISMO VI Década de 40 marca a explosão demográfica O formato urbano que a cidade do Recife tem nos dias de hoje se estabeleceu na década de 50. Segundo a urbanista Virgínia Pontual, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), as transformações principais se deram a partir de 30, e, principalmente, nos anos 40, com a explosão demográfica e a ocupação dos espaços vazios entre as principais vias de ligação entre o centro e a periferia. "A cidade deixou de ter o formato tentacular e se tornou uma grande mancha urbana", diz Virgínia, lembrando que a modificação da paisagem reflete as mudanças na vida da cidade. Até os anos 30, o crescimento populacional se manteve estável. Entre 40, 50 e 60, alcançou a casa dos 50%, motivado não só pelo maior número de nascimentos e menos mortes, mas também pela vinda de pessoas da área rural. Entre as décadas de 50 e 60, 114 mil homens e mulheres trocaram o campo pela cidade. Nessa época a cidade cresceu rumo às periferias. No final do século 19, a ocupação urbana se restringia aos bairros do Recife, Santo Antônio e São José. Com o tempo, as famílias foram ocupando os espaços entre as vias que faziam a ligação entre o porto e os engenhos: a Estrada do Norte (Complexo de Salgadinho), Estrada de Ferro (Avenida Norte), Estrada do Pão de Alho (Caxangá), Estrada de Victória (São Miguel) e Estrada do Sul (Mascarenhas de Morais). A ocupação dos morros foi uma conseqüência da ação da Liga Social Contra o Mocambo, que destruiu, de 1939 a 1945, 13.355 casebres, cerca de 30% dos existentes na cidade. A alternativa dada na época a quem perdia seu espaço eram as vilas operárias, como a dos Comerciários, em Casa Amarela, e a das Costureiras, em Afogados. Mas nem todos eram atendidos. MAL EDUCADA - "A cidade crescia depressa, parecendo uma menina mal educada, cheia de vontades a fazer o que bem entende", definiu Mário Melo no JC de 9 de agosto de 1941. Ele se referia ao crescimento vertiginoso e à falta de absorção no mercado das pessoas que saiam do campo. A partir dos anos 50, Recife passou a ser percebida como a cidade do atraso regional e da miséria. "Era a menina maltrapilha e desajustada", diz Virgínia Pontual, parafraseando Mário Melo. Mais das metade da cidade já era urbana. Também nos anos 50 iniciou-se a metropolização. Naquela época, o Grande Recife era composto pela capital e outras quatro cidades: Olinda, Jaboatão, São Lourenço e Paulista. |
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