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URBANISMO VII Os muitos perfis do Bairro do Recife e seus belos sobrados Marco zero da cidade, a zona do cais do porto passou por três fases de 1920 até agora. Nunca deixou de ser um centro de negócios, com bancos e comércio, mas já foi o baixo meretrício e conjunto decadente até chegar à fase atual, com ares de revitalização. Os velhos sobrados que abrigavam cabarés, agora abrem suas portas para receber a família de classe média. Em vez das noitadas, shows em palcos ao ar livre e blocos líricos em dias de Carnaval. Os antigos trabalhadores do porto Sérgio Bonifácio dos Santos, 70 anos, Ubaldino Lima, 79, e José Xavier Fereira, 73, que se reúnem todos os dias na Praça do Arsenal, têm opiniões diferentes sobre essas transformações do novo Recife Antigo. Para Sérgio, "o bairro melhorou muito". Para Ubaldino Lima, o mais antigo do grupo, melhores eram os tempos em que o porto liderava a movimentação no Nordeste. Xavier concorda um pouco com os dois. "Admiro a nova fachada dos prédios da Bom Jesus", comenta. Ubaldino não sabe que a construção do porto levou uma parte da história da cidade. As obras do porto causaram uma reforma urbana na área. Prédios seculares foram demolidos para a abertura das avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco, por volta de 1913. Na juventude de Sérgio, Ubaldino e José, a rua Vigário Tenório e a Bom Jesus eram redutos de pensões famosas. Do passado só restou o bar Galerias, onde se serve o maltado mais conhecido da cidade. O processo de revitalização iniciou-se com a rua do Bom Jesus, a antiga rua dos Judeus, onde hoje se concentra a maior parte dos bares. Com isenção de imposto por período determinado, a prefeitura atraiu empresários. Os prédios receberam pintura e conserto, mantendo os traços da antiga arquitetura. O espaço ganhou escola de dança, galeria e outras atividades culturais. A revitalização é, na verdade, uma tentativa de consertar as conseqüências do passado. E não acontece apenas na parte mais antiga do Recife. Em meados de 80, a cidade ganhou um escritório de revitalização. Retirar camelôs de espaços públicos, abrir ruas e estimular a limpeza de fachadas foram algumas das ações. A cidade ganhou o grande corredor dos Mascates e o camelódromo da Dantas Barreto, e teve outras áreas tratadas. Teve início o processo de adoção de praças pela iniciativa privada, e as pontes ganharam nova iluminação. |
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