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POLÍTICA Política como assunto de família por INALDO SAMPAIO Quando o Jornal do Commércio circulou pela primeira vez, em 1919, morria no Rio de Janeiro um pernambucano que fez história no Segundo Reinado, tendo sido um dos maiores estadistas do seu tempo: João Alfredo Corrêa de Oliveira (conselheiro João Alfredo). Ele foi delegado de polícia, deputado, promotor público, juiz, diretor da Faculdade de Direito do Recife, presidiu a Província do Pará, integrou o gabinete do Visconde do Rio Branco (o mais longo da Monarquia) e, como presidente do conselho de ministros em 1988, incluiu no seu programa de governo a abolição da escravatura no Brasil, que se consumaria um ano depois por intermédio da Lei Áurea. Oitenta anos depois da morte do conselheiro, seus descendentes continuam participando da vida política de Pernambuco, a exemplo de inúmeras outras famílias que historicamente sempre se destacaram nas mais diferentes funções públicas. Este "JC", que nasceu extamente no mesmo ano em que o conselheiro João Alfredo falecia, testemunhou todos esses fatos. Aliás, a presença de determinadas famílias no cenário político estadual por décadas e mais décadas, não é privilégio de Pernambuco. A história registra que os "Calmon" na Bahia, os "Alencar" no Ceará, e os "Andrada e Silva" em Minas e em São Paulo, participam da vida política desses Estados há mais de cem anos. OS "CORRÊA DE OLIVEIRA" Os "Corrêa de Oliveira", por exemplo, sempre se destacaram em Pernambuco no Poder Legislativo e no Poder Judiciário. Houve uma época, entre as décadas de 50 e 60, conforme recorda Clóvis Corrêa de Oliveira Andrade Filho, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho e atualmente vereador à Câmara Municipal do Recife, que sua família tinha três representantes na Assembléia Legislativa - Fábio Corrêa, Clóvis Corrêa (pai) e Antônio Corrêa de Oliveira - além de dois vereadores à Câmara Municipal do Recife - José Carolino e Manoel Cláudio Corrêa de Oliveira. Fábio Corrêa foi posteriormente deputado federal e secretário de segurança pública e Antônio Corrêa, seu primo legítimo, que já tinha sido vereador e secretário de estado (governo Cid Sampaio), foi também presidente da Assembléia Legislativa e conselheiro do Tribunal de Contas, onde Fábio Corrêa, igualmente, encerrou a sua vida pública. Hoje, descendentes diretos dessa família, estão na vida pública Pedro Corrêa (deputado federal), Fábio Corrêa Neto (dirigente estadual do PPB) e Clóvis Corrêa Filho (vereador). OS MAGALHÃES Outra família que também faz história em Pernambuco há mais de meio século é a "Magalhães", originária de Serra Talhada, no sertão do Pajeú. Seu primeiro e maior vulto foi, inegavelmente, Agamennon Magalhães, que foi deputado estadual, deputado federal, ministro do Trabalho e da Justiça (governo Getúlio Vargas), interventor e governador, e possivelmente teria sido presidente da República se não tivesse morrido prematuramente, de infarto, em pleno Palácio do Campo das Princesas, no dia 24 de agosto de 1952. Do mesmo tronco de Agamennon brotaram seu irmão, Sérgio, que foi deputado pelo Rio de Janeiro, o filho Paulo Germano, que foi deputado estadual e federal por Pernambuco, o genro Armando Monteiro Filho (ministro da agricultura de João Goulart) e os sobrinho Roberto (atual prefeito do Recife), Luiz Magalhães (presidente da Academia Pernambucana de Letras), Geraldo (ex-prefeito do Recife) e José (ex-vereador e ex-deputado estadual). Hoje, além de Roberto Magalhães, que foi secretário de educação, vice-governador, governador e deputado federal, estão na vida pública o presidente da Fiepe e deputado federal Armando Monteiro Neto (neto de Agamennon) e os sobrinho-netos Sérgio Magalhães (ex-vereador e candidato em 2002) e Luiz Otávio de Melo Cavalcanti (diretor-executivo do "Diario de Pernambuco"). O prestígio da família esteve no auge precisamente no governo de Nilo Coelho (67-71): Roberto era secretário de educação, Geraldo prefeito do Recife, Luiz deputado federal e José (Zezito) deputado estadual. OS COELHO Um clã sertanejo que também faz política há muitas décadas em Pernambuco são os "Coelho", de Petrolina, um misto de políticos e empresários. Eles têm sua base em Petrolina, cuja prefeitura é controlada pela família há mais de um século, com uma breve interrupção de quatro anos. O político por excelência da família era Nilo Coelho, falecido em 84, após ter sido sucessivamente deputado estadual, deputado federal, governador e senador. Hoje, permanecem participando da vida política pernambucana seus irmãos Osvaldo (deputado federal), Geraldo (deputado estadual) e José (suplente de senador), além dos sobrinhos Cyro (deputado estadual e secretário de recursos hídricos), Guilherme (prefeito de Petrolina pela segunda vez), Clementino (deputado federal) e Fernando (ex-deputado estadual, ex-secretário de Roberto Magalhães e de Miguel Arraes, ex-prefeito de Petrolina e candidato a vice-governador, derrotado, nas eleições de 98). O gosto dessa família pela vida pública começou com Clementino Coelho (coronel "Quelé"), pai de Nilo, passou para a segunda geração e já está presente na terceira, representada por Guilherme, Cyro, Fernando e Clementino Neto. OS GUERRA (DO PSD) Família igualmente ilustre em Pernambuco, embora com menos presença na vida pública, hoje, do que os "Magalhães" e os "Coelho", é a "Guerra", do ex-governador e ex-senador Paulo Pessoa Guerra, um dos coronéis do antigo PSD mais astutos e habilidosos que este Estado já conheceu. Paulo Guerra foi deputado estadual, deputado federal, vice-governador (de Miguel Arraes), governador (quando Arraes foi deposto e preso) e senador. De sua numerosa família (13 filhos), apenas três tiveram incursões pela vida pública: João Domingos (secretário de agricultura de Moura Cavalcanti), Joaquim (ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-prefeito de Igarassu) e Paulo Guerra filho (ex-deputado estadual). O genro José Gaspar Cavalcanti Uchoa, casado com sua filha mais velha, Zulmira, é o diretor do DNOCS em Pernambuco. OS FERREIRA LIMA Originária da Mata Norte, a família "Ferreira Lima" também fez história em Pernambuco ao longo dos últimos 80 anos. O chefe do clã, Dr. João Ferreira Lima, que era médico, foi prefeito e chefe político no município de Timbaúba. Seu filho, Joãozito (João Ferreira Lima Filho), foi prefeito de Timbaúba e de Aliança, deputado estadual em várias legislaturas, presidente da Assembléia Legislativa e secretário de saúde (1º governo Arraes). Seu irmão, Jacques Ferreira Lima, também foi prefeito de Timbaúba, município que a família dominou politicamente durante cerca de meio século. Outro membro da família que também governou este município foi Geraldo Ferreira Lima, irmão dos ex-deputados Torquato e Egídio Ferreira Lima. O primeiro foi prefeito de Nazaré da Mata e deputado estadual e, o segundo, deputado estadual e federal. Torquato é casado com Milita, irmã do governador Jarbas Vasconcelos e presidente da Cruzada de Ação Social. Seu filho, Torquato Ferreira Lima filho, também foi prefeito de Nazaré da Mata. Pertencem ainda a essa mesma linhagem os irmãos Maurílio, Mauro e Maerle. Maurílio foi deputado federal e presidente da Radiobrás e hoje é o chefe da representação do governo de Pernambuco no Distrito Federal. Mauro foi vereador no Recife e, Maerle, disputou uma eleição por Brasília (Senado) mas não conseguiu se eleger: perdeu para a soma das sublegendas adversárias. Também são desta família o Monsenhor Ferreira Lima (chefe político em Surubim e deputado federal em várias legislaturas), Sizino Ferreira Lima (ex vice-prefeito daquela cidade e filho do ex-deputado estadual e ex-secretário de saúde) (governo Nilo Coelho) Alcides Ferreira Lima e os vereadores Marcos e Jacques Ferreira Lima (Timbaúba). OS CAVALCANTI Segundo o historiador Jorge Couto ("A construção do Brasil", editora cosmos, Lisboa, 1997), essa tradicional família pernambucana descende de Jerônimo de Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho, donatário da capitania de Pernambuco. Ele se relacionou com a filha do cacique Arcoverde (Maria do Espírito Santo Arcoverde), sendo que uma de suas filhas, Catarina Albuquerque, casou com o florentino (de Florença, Itália) Felipe Cavalcanti, tronco da família pernambucana homônima. Desse clã surgiram os ex-governadores José Francisco de Moura Cavalcanti e Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti, o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembléia Legislativa José Francisco de Mello Cavalcanti (pai de Joaquim) e o ex-deputado estadual e federal e atual presidente do Ipsep Maviael Francisco de Moraes Cavalcanti. Moura Cavalcanti foi prefeito de Macaparana, presidente do Incra, ministro da agricultura (governo Medici) e governador, ao passo que seu primo, Joaquim Francisco, foi secretário de estado, prefeito do Recife (duas vezes), deputado federal e ministro do inteiror (governo Sarney). Hoje, exerce pela segunda vez um mandato na Câmara Federal. OS HERÁCLIO Tradicional família de Limoeiro, também marcou época em Pernambuco desde a fundação do Jornal do Commercio, em 1919. O chefe do clã era o coronel Chico Heráclito, sobre quem muito já escreveu e se conversou em Pernambuco e no Brasil dada a singularidade da maneira com que exercia a sua liderança sobre a população de Limoeiro e de cidades circunvizinhas. Dois de seus filhos foram deputados: Heráclio do Rego (federal) e Francisco de Moraes Heráclio (estadual), ambos em várias legislaturas. Este último foi ainda prefeito de Limoeiro e de Passira. Hoje, da terceira e quarta gerações do velho Chico, se fazem presentes na vida pública seus netos Luiz e Maria Lúcia Heráclio. O primeiro é prefeito de Limoeiro e a segunda de Bonito. Já o bisneto Ricardo Heráclio foi deputado federal por Pernambuco até fevereiro deste ano. Luiz Heráclio já tinha sido anteriormente deputado estadual e chefe da Casa Civil do governo de Moura Cavalcanti e, Maria Lúcia, deputada estadual. OS MOURY FERNANDES Como diz com muita propriedade o vereador Costa Júnior (PMDB), rara foi a legislatura naquele Casa, nos últimos 50 anos, em que não estavam presentes pelo menos um representante de três ilustres famílias pernambucanas: os "Corrêa de Oliveira", os "Magalhães" e os "Moury Fernandes". O velho Edson Moury Fernandes foi deputado estaual e federal e está substituído hoje na vida pública pelo filho, Edgar Moury, que foi deputado estadual em várias legislaturas, secretário de Administração (2º governo Arraes) e, Edmar Moury (velho), irmão do Edson, foi vereador no Recife a exemplo do filho do mesmo nome, que além de ter passado pela Câmara Municipal, como o pai, foi secretário do Trabalho e Ação Social do 3º governo de Miguel Arraes. OS GUERRA (da UDN) Enquanto os "Guerra" de Paulo Guerra militavam politicamente no extinto PSD, que tinha como chefe em pernambuco, na década de 40, o então interventor Agamenon Magalhães, havia os "Guerra" da UDN que tinham como chefe político o ex-deputado estadual e federal Pio Guerra. Os três filhos do velho Pio abraçaram a via pública. José Carlos, o mais velho, foi deputado estadual, federal e secretário municipal (gestão de Jarbas Vasconcelos na prefeitura do Recife), tendo sido casado em primeiras núpcias com uma filha de Gustavo Capanema, ex-ministro da educação de Getúlio Vargas e de quem o poeta Carlos Drummond de Andrade foi chefe de gabinete. Hoje, José Carlos é suplente de senador. Seu irmão, que é deputado federal pelo PSB, foi deputado estadual, líder do MDB na Assembléia Legislativa e secretário de Indústria e Comércio no 2º e no 3º governo de Miguel Arraes. Pio Guerra Filho foi presidente da Fedração Pernambucana e Nacional da Agricultura e, atualmemente, é presidente do Sebrae. OS LINS DE ALBUQUERQUE Descendentes do velho Ulysses Lins, que é natural de Sertânia, no Sertão do Moxotó, e foi deputado federal e integrante da Academia Brasileira de Letras, os "Lins de Albuquerque" também fizeram história em Pernambuco. Etelvino, o mais destacado da família, foi deputado federal, secretário de segurança, interventor, senador, governador, ministro do Tribunal de Contas da União e candidato a presidente da República por algumas semanas pela União Democrática Nacional, apesar de sua origem pessedista. Ele não deixou herdeiros na política, mas seu irmão caçula, Ruy, atual conselheiro do Tribunal de Contas, bem que tentou eleger-se deputado em 1962 mas não conseguiu. A sobrinha Rosa (filha de Valdemar Lins) é a atual prefeita de Arcoverde, tendo cumprido anteriormente um mandato de deputado estadual na Assembléia Legislativa. O seu irmão, Leonardo Lins de Albuquerque, que é engenheiro, é diretor da Chesf há muitos anos. Da quarta geração dos "Lins de Albuquerque", estão na política os jovens Gustavo (vereador em Sertânia) e José Eltevino Júnior (vice-prefeito). A filha de Etelvino, Inah Lins, foi chefe do Cerimonial do Palácio do Campo das Princesas no 2º e no 3º governos de Miguel Arraes. |
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